Faltam pouco mais de dois meses para a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, e a seleção brasileira ainda carrega questões sem resposta. Carlo Ancelotti tem o esboço do time, 24 nomes práticamente garantidos e um calendário apertado pela frente. Mas, segundo apurou o Armador junto a pessoas próximas à comissão técnica, há ao menos três pontos críticos que precisam ser resolvidos antes da convocação oficial, marcada para 18 de maio.
O que está definido, e o que ainda não está
A lista de nomes encaminhados inclui os goleiros Alisson e Ederson, a espinha dorsal defensiva com Marquinhos, Gabriel Magalhães, Militão e Danilo, e um meio-campo com Andrey Santos, Bruno Guimarães e Casemiro. No ataque, Vinícius Júnior, Raphinha, Estêvão e Matheus Cunha aparecem como seguros. São 24 nomes que difícilmente sairão da lista.
O problema está nas duas vagas restantes. Fontes indicam que a disputa se concentra em Lucas Paquetá, Endrick e Igor Thiago, três jogadores com perfis distintos brigando por no máximo dois lugares. Nenhuma decisão foi tomada até o fechamento desta edição.
A lateral-esquerda também é uma das posições mais indefinidas da seleção. Alex Sandro foi confirmado, mas a briga por uma vaga extra na posição ainda não tem nome certo. O terceiro goleiro divide opiniões dentro da comissão: Bento e Hugo Souza estão empatados nas avaliações internas, segundo apurou o Armador.
O fantasma de Neymar e a janela de Ancelotti
A situação de Neymar segue indefinida. Ancelotti foi claro: "Se ele chegar em condição física ideal, certamente estará entre os 26." A declaração abriu uma janela, mas também sinalizou o tamanho do obstáculo. O Santos tenta acelerar a recuperação do jogador, mas fontes próximas ao clube paulistano admitem que a evolução física tem sido mais lenta do que o esperado.
O próprio Ancelotti parece ter encerrado internamente o debate. A convocação para os amistosos de março contra França e Croácia não incluiu Neymar, e o técnico seguiu em frente com os jovens. A mensagem foi clara para quem quis ler nas entrelinhas.
O treinador italiano, que chegou ao Brasil com a missão de reerguer uma seleção em crise após a demissão de Dorival Júnior em março de 2025, construiu uma equipe mais compacta e menos dependente de uma única referência. Essa talvez seja a mudança mais importante do ciclo.
Tática: o 4-3-3 e suas variações
Nos amistosos preparatórios realizados desde o início do ano, Ancelotti testou variações do 4-3-3 e do 4-2-3-1. A tendência, segundo fontes que acompanham os treinos em Teresópolis, é que o Brasil chegue à Copa com o 4-3-3 como base, mas com liberdade para Raphinha e Vinícius Júnior trocarem de lado e criarem desequilíbrios.
Bruno Guimarães tem sido o maestro do meio. A parceria com Andrey Santos, que cresceu muito na última temporada pelo Chelsea, é o ponto mais promissor da equipe. Casemiro, veterano, garante a estrutura defensiva que o esquema de Ancelotti exige.
O Brasil não vive um momento de euforia, mas também não vive crise. Vive uma transição organizada. E transições organizadas, no futebol, costumam ser mais perigosas do que times que chegam com tudo resolvido.
A preparação e o caminho até junho
O calendário traçado pela CBF é o seguinte: pré-lista de 55 nomes enviada à Fifa em 11 de maio, convocação oficial dos 26 jogadores em 18 de maio, concentração na Granja Comary a partir de 25 de maio. Dois amistosos completam a preparação: Panamá, no dia 31 de maio no Maracanã, e Egito, no dia 6 de junho em Cleveland, nos Estados Unidos.
A estreia oficial está marcada para 13 de junho, contra Marrocos, adversário que não deve ser subestimado. A seleção africana eliminou a Espanha e Portugal na Copa de 2022 e chega ao torneio de 2026 como uma das equipes mais organizadas do mundo.
A Copa de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, com início previsto para 11 de junho. Será a primeira edição com 48 seleções, o que muda a dinâmica da fase de grupos e aumenta a margem de erro, mas não elimina a pressão sobre o Brasil, que acumula 24 anos sem título mundial.
O que o Armador monitora
Nos próximos dias, a coluna Copa 2026 Countdown vai acompanhar de perto três pontos: a definição das duas vagas em aberto no ataque, a evolução física de Neymar e o posicionamento de Ancelotti sobre o sistema tático para a estreia. As respostas, quando vierem, serão publicadas aqui antes da convocação oficial.
O Brasil tem talento. Tem técnico experiente. Tem calendário estruturado. O que falta, por enquanto, é definição. E definição, a dois meses de uma Copa do Mundo, não é um luxo, é urgência.
Para entender por que o Brasileirão de 2026 também diz algo sobre a saúde do futebol brasileiro antes da Copa, leia a análise da Marina Costa: 9 técnicos em 9 rodadas, e ninguém quer falar nisso. E se quiser entender a evolução tática que os convocados vivem nos clubes, o Rafael Teixeira explica: como o Bragantino desmonta blocos com pressão alta.