O Internacional chega ao Gre-Nal 452 na 16ª posição do Brasileirão, primeiro lugar fora da zona de rebaixamento. O Grêmio ocupa a oitava posição, com 11 pontos. O clássico gaúcho desta sexta-feira, dia 11 de abril, no Beira-Rio, às 20h30, coloca dois técnicos com filosofias opostas em confronto direto.
Paulo Pezzolano está sob pressão desde as primeiras rodadas. A diretoria do Internacional cobrou intensidade máxima e resultados imediatos. Mano Menezes está em processo de reconstrução no Grêmio após assumir o clube com deficiências defensivas crônicas: o time havia sido o que mais sofreu gols na Série A nos três anos anteriores.
Como o Internacional joga
Pezzolano usa um 4-3-3 com tendência para o 4-2-3-1 dependendo do adversário. A estrutura defensiva se baseia em três volantes no setor de meio-campo para garantir cobertura e controle de posse fora de casa. O problema é que essa organização deixa o time lento na transição ofensiva: o Internacional tem a quarta menor taxa de progressão pelo corredor central do Brasileirão em 2026.
No ataque, Pezzolano depende de Alerrandro como centroavante de referência. O jogador marcou em situações de pressão alta: nos dois jogos em que o Internacional saiu na frente do placar esta temporada, Alerrandro participou dos dois gols de abertura do placar, ambos após recuperação de bola no terço médio adversário.
O sistema de pressão do Internacional é ativado por gatilho posicional: quando o adversário recebe nos pés do zagueiro central com os dois laterais subidos, os três meias avançam em bloco. É uma armadilha que funciona contra times que circulam a bola devagar. Contra o Grêmio, que sai rápido em transição com Cristaldo, o risco de exposição é real.
Como o Grêmio joga
Mano Menezes reorganizou a defesa desde que chegou ao clube. O 4-4-2 com linhas compactas reduziu os espaços nas costas dos laterais, que era o ponto mais explorado por adversários na temporada anterior. O Grêmio passou a defender com as duas linhas de quatro mais próximas: a distância entre a linha de meio-campo e a linha defensiva caiu de 18 metros em média para 12.
Ofensivamente, o sistema de Mano funciona com Cristaldo como segundo atacante que parte da linha do meio-campo. O argentino desce para receber entre as linhas, combina em um ou dois toques e arranca em direção à área. Soteldo atua pelo corredor esquerdo com liberdade para inverter, criando situações de dois contra um com o lateral.
Para o Gre-Nal, Mano prepara mudanças na escalação. O clube enfrenta a Copa Sul-Americana nos dias 8 e 14 de abril, o que obriga o técnico a gerir o desgaste físico. A expectativa é que Mano poupe alguns titulares dos compromissos continentais para priorizá-los no clássico do Brasileirão.
O confronto tático: a disputa pelo corredor central
Os dois sistemas convergem para o mesmo corredor. O Internacional quer controlar o meio-campo com três volantes e impedir a circulação de Cristaldo entre as linhas. O Grêmio quer usar Cristaldo exatamente nessa zona para atrair marcação e abrir espaço para Soteldo e o extremo do lado oposto.
O ponto de tensão principal é o seguinte: se o Internacional conseguir marcar Cristaldo individualmente com um dos três volantes sem perder a cobertura do corredor central, o Grêmio vai precisar encontrar soluções pela periferia. Soteldo vai se tornar a saída principal, e o lateral direito do Internacional vai precisar acompanhar o extremo em marcação individual sem apoio do pivô.
Se o Grêmio conseguir que Cristaldo receba com liberdade, o Internacional vai ter que comprometer um dos volantes na marcação, abrindo espaço para as chegadas dos outros meias. A disputa pelo posicionamento do segundo volante do Internacional é o que vai definir qual sistema prevalece nos primeiros 30 minutos.
Posição por posição
No gol, Rochet, do Internacional, contra Marchesín, do Grêmio. Rochet voltou de lesão nas últimas rodadas e é considerado o melhor goleiro gaúcho em situações de um contra um. Marchesín tem desempenho mais consistente em cruzamentos e bolas aéreas, área em que o Internacional é ativo com as chegadas de Bernabei pelo corredor esquerdo.
Na zaga, a dupla gremista, Jemerson e Rodrigo Ely, tem vantagem em organização coletiva. Os zagueiros do Internacional, Vitão e Clayton Sampaio, têm mais velocidade, o que favorece o jogo de linha alta que Pezzolano prefere. Em disputas aéreas, o Internacional leva vantagem nos dados da temporada: 61% de aproveitamento contra 54% do Grêmio.
No meio-campo, o duelo de maior nível é entre Thiago Maia, do Internacional, e Cristaldo, do Grêmio. Maia funciona como pivô destruidor: corta linhas de passe e provoca faltas táticas. Cristaldo cria. Se Maia conseguir marcar Cristaldo fora do espaço de criação, o Grêmio vai perder seu principal mecanismo ofensivo.
No ataque, Alerrandro, do Internacional, tem perfil mais físico e eficiente em jogadas individuais dentro da área. Carlos Vinícius, do Grêmio, é mais técnico, combinando com os meias antes de finalizar. Carlos Vinícius tem seis gols e quatro assistências no Brasileirão, o melhor índice de participação em gols entre os centroavantes do campeonato nesta temporada.
O fator Beira-Rio
O Internacional joga em casa. O Beira-Rio, com capacidade de 51 mil torcedores, tende a lotar para o Gre-Nal. O fator campo tem peso para o Inter: em Gre-Nais disputados no Beira-Rio desde 2020, o Internacional venceu seis dos dez jogos, empatou dois e perdeu dois.
Para o Grêmio, jogar no Beira-Rio implica um adversário que vai acelerar o ritmo nos primeiros quinze minutos, apostando na pressão da torcida para forçar erros na saída de bola. Mano Menezes costuma instruir os jogadores a não abrir mão da posse nos minutos iniciais, absorvendo a pressão e aguardando o adversário se expor.
O diagnóstico
O Internacional precisa dos três pontos para sair da zona de risco e dar fôlego ao trabalho de Pezzolano. O Grêmio precisa de uma vitória para entrar de vez no grupo que briga por posições na primeira metade da tabela. Nenhum dos dois pode errar. A disputa vai ser decidida no corredor central, na capacidade de Mano de proteger Cristaldo dos três volantes de Pezzolano e na eficiência de Alerrandro em situações isoladas contra a zaga gremista.
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