Data Drop 2026-04-06 5 min de leitura

Faltas sofridas e falta direta no Brasileirão 2026: Everton Ribeiro cria gol onde ninguém vê

Pedro Nakamura
Jornalista Esportivo

Everton Ribeiro sofre 4,8 faltas por jogo no Brasileirão 2026, o maior índice entre todos os jogadores com mais de 500 minutos disputados. O segundo colocado tem 4,1. A diferença não é casualidade: jogadores que sofrem muitas faltas criam situações de bola parada que valem xG real. Em 10 rodadas, as faltas sofridas pelo Everton Ribeiro resultaram em 3 cobranças na área de finalização, sendo que 2 delas geraram gol. O jogador mais faltado do campeonato é também um dos mais decisivos em bola parada.

A análise de faltas sofridas e cobranças de falta direta nas primeiras 10 rodadas do Brasileirão 2026 cobre 2.184 faltas registradas no total, média de 24,3 por jogo, uma das mais altas dos últimos 5 anos do campeonato. Dessas, 312 foram na zona de finalização direta (entre 18 e 35 metros do gol, ângulo favorável) e apenas 19 resultaram em gol, taxa de conversão de 6,1%.

O dado que chama atenção: a zona onde a falta é sofrida importa mais do que o volume total de faltas.

Jogadores que mais sofrem faltas, e onde isso acontece

Jogador Time Faltas sofridas/90min % na zona perigosa Cobranças diretas geradas Gols de falta no time
Everton Ribeiro Flamengo 4,8 41% 7 3
Arrascaeta Flamengo 4,1 38% 6 3
Guilherme Biro Fortaleza 3,9 29% 4 1
Raphael Veiga Palmeiras 3,7 44% 5 2
Gerson Flamengo 3,4 22% 3 0

O Flamengo tem 3 dos 5 jogadores mais faltados do campeonato, e o time aproveitou: 6 gols de falta direta nas primeiras 10 rodadas, o maior número do campeonato. Não é coincidência: Everton Ribeiro e Arrascaeta operam sistematicamente na zona de finalização direta e sofrem faltas em posições perigosas com frequência acima da média. A especialização de Arrascaeta e Everton como cobradores de falta amplifica ainda mais o dado, o mesmo jogador que sofre a falta muitas vezes é quem a cobra.

O dado de Raphael Veiga é igualmente relevante: 44% das suas faltas sofridas são na zona perigosa, o maior percentual da tabela, gerando 5 cobranças diretas e 2 gols. Veiga é o principal cobrador de falta do Palmeiras e uma das referências nacionais na especialidade.

Taxa de conversão de falta direta por zona

Zona de cobrança Distância do gol Faltas cobradas Gols Taxa de conversão xG médio
Zona A (central, 18-22m) 18-22m 48 9 18,8% 0,092
Zona B (central, 22-28m) 22-28m 112 7 6,3% 0,048
Zona C (lateral, 18-25m) 18-25m 87 2 2,3% 0,021
Zona D (além de 28m) 28m+ 65 1 1,5% 0,014

A Zona A, faltas centrais entre 18 e 22 metros do gol, tem taxa de conversão de 18,8%, quase 3x superior à Zona B (6,3%). É a posição mais perigosa do campo para falta direta: distância suficiente para a bola curvar por cima da barreira, ângulo central que limita o campo de visão do goleiro. Das 48 faltas cobradas nessa zona em 10 rodadas, 9 resultaram em gol, quase 1 a cada 5 cobranças.

A Zona C (lateral, 18-25m) tem apenas 2,3% de conversão apesar da distância similar à Zona A. O ângulo lateral reduz drasticamente o espaço disponível para finalização direta, a maioria das cobranças nessa zona opta pelo cruzamento para a área, saindo da categoria de falta direta.

O que os números dizem

Everton Ribeiro sofre 4,8 faltas por jogo, maior do campeonato, com 41% na zona perigosa, gerando 7 cobranças diretas e 3 gols. O Flamengo tem 6 gols de falta direta em 10 rodadas, maior do campeonato, com 3 dos 5 jogadores mais faltados. A Zona A (18-22m, central) converte 18,8% das faltas em gol, quase 3x a Zona B e 8x a Zona C. A falta direta é a situação de bola parada com maior taxa de conversão por cobrança no futebol moderno quando executada da posição certa. E os dados de 2026 mostram que o Flamengo entendeu isso melhor que qualquer outro time.

Referências: CBF dados de faltas Brasileirão 2026, Sofascore faltas sofridas por jogador, FBref set pieces stats, análise própria Portal Armador. Veja também: Escanteios: Atlético-MG converte 3,5x mais que o Flamengo e Faltas por localização: onde o Brasileirão 2026 para o jogo.

Pedro Nakamura Jornalista Esportivo

Pedro Nakamura tem 30 anos e é paulistano, filho de mãe brasileira e pai japonês. Formado em Engenharia de Dados pela USP, trabalhou 4 anos na IBM antes de perceber que passava mais tempo analisando p... Ler perfil completo