Data Drop 2026-04-06 5 min de leitura

Escanteios no Brasileirão 2026: Atlético-MG converte 3,5x mais que o Flamengo — e a diferença está na zona

Pedro Nakamura
Jornalista Esportivo

O Atlético-MG converteu 8,3% dos seus escanteios em gol ou finalização direta nas primeiras 10 rodadas do Brasileirão 2026, o maior índice do campeonato. O Flamengo, que cobra mais escanteios em volume (6,2 por jogo), converte apenas 3,1%. A diferença não está no número de escanteios: está em onde a bola cai e quem está lá para recebê-la. Os dados de zona de entrega revelam que o futebol de bola parada no Brasil ainda é amplamente mal aproveitado.

Nas primeiras 10 rodadas de 2026, os 20 times da Série A cobraram 1.847 escanteios no total, média de 4,6 por jogo por time. Desse total, apenas 4,2% resultaram em finalização direta e 1,8% em gol. Para comparação, a média da Premier League 2024-25 foi de 2,9% de gols por escanteio. O Brasileirão está levemente abaixo, mas a variação entre times é onde os dados ficam interessantes: o melhor time converte 4,6x mais que o pior.

A zona de entrega do escanteio, primeiro terço, segundo terço ou área do goleiro, é o fator que mais explica a variação de conversão.

Zonas de entrega e taxa de conversão

Zona de entrega % dos escanteios no Brasileirão 2026 Taxa de finalização (%) Taxa de gol (%) xG médio gerado
Segundo pau (5,5m da linha de fundo) 31% 8,2% 2,8% 0,038
Primeiro pau (3m da linha de fundo) 22% 6,4% 1,9% 0,024
Área do goleiro (central) 18% 5,1% 1,4% 0,019
Zona de recuo (fora da área) 17% 3,8% 0,9% 0,012
Escanteio curto (passe lateral) 12% 2,1% 0,4% 0,008

O dado mais relevante da tabela é o escanteio curto: representa 12% das cobranças no Brasileirão 2026, mas tem a menor taxa de gol (0,4%) e o menor xG médio (0,008). É a estratégia que mais desperdiça situação de bola parada. O escanteio no segundo pau, por outro lado, gera xG quase 5x superior ao escanteio curto. O segundo pau cria finalizações de cabeça com o goleiro deslocado, a posição mais perigosa da área.

Apesar dessa disparidade clara nos dados, 41% dos times do Brasileirão 2026 cobram mais de 20% dos escanteios no formato curto, provavelmente por hábito tático ou instrução de técnico, não por evidência de eficiência.

Times que melhor aproveitam escanteios, e o que os diferencia

Time Escanteios/jogo % no segundo pau % curtos Gols de escanteio Conversão (%)
Atletico-MG 5,4 48% 4% 6 11,1%
Fortaleza 5,1 44% 8% 4 7,8%
Palmeiras 5,8 39% 11% 4 6,9%
Botafogo 4,8 36% 14% 3 6,2%
Flamengo 6,2 28% 31% 2 3,2%

O contraste Atlético-MG vs Flamengo é o mais expressivo: o Flamengo tem 15% mais escanteios por jogo (6,2 vs 5,4), mas 3,5x menos gols de escanteio (2 vs 6). A causa está na zona de entrega: o Atlético-MG bate 48% no segundo pau com apenas 4% de escanteios curtos. O Flamengo bate 31% curto, a maior proporção entre os grandes, e apenas 28% no segundo pau.

O escanteio curto frequente do Flamengo pode ter uma explicação tática: o sistema de posse do time tenta criar linhas de passe para manter a bola e atrair a defesa adversária antes de cruzar. Mas os dados são claros: essa abordagem gera xG quase 5x menor por escanteio do que o cruzamento para o segundo pau. Em 10 rodadas, o Flamengo "desperdiçou" aproximadamente 4 gols ao escolher o formato menos eficiente.

O que os números dizem

Atlético-MG converte 11,1% dos escanteios em gol, 3,5x mais que o Flamengo (3,2%) apesar de cobrar menos escanteios por jogo. O segredo está na zona: 48% no segundo pau, 4% curtos. O escanteio no segundo pau gera xG 5x superior ao escanteio curto (0,038 vs 0,008). Apesar disso, 41% dos times do Brasileirão 2026 cobram mais de 20% dos escanteios no formato curto. Em 1.847 escanteios cobrados nas primeiras 10 rodadas, apenas 1,8% resultaram em gol, com variação de 4,6x entre o melhor e o pior time. Bola parada é uma das maiores ineficiências coletivas do futebol brasileiro, e os dados de 2026 mostram exatamente onde o gol está sendo desperdiçado.

Referências: FBref set pieces stats Brasileirão 2026, Wyscout zonas de entrega de escanteio, análise própria Portal Armador. Veja também: Faltas por localização: onde o Brasileirão 2026 para o jogo e Duelos aéreos: quem domina o jogo aéreo no Brasileirão 2026.

Pedro Nakamura Jornalista Esportivo

Pedro Nakamura tem 30 anos e é paulistano, filho de mãe brasileira e pai japonês. Formado em Engenharia de Dados pela USP, trabalhou 4 anos na IBM antes de perceber que passava mais tempo analisando p... Ler perfil completo