O número é simples, mas o que ele representa é histórico: 65 partidas consecutivas do Campeonato Brasileiro de 2026 foram disputadas sem um único empate sem gols. O recorde anterior pertencia à Taça Brasil de 1964, com 48 jogos. O Brasileirão de 2026 pulverizou essa marca ainda na sétima rodada, quando Chapecoense e Corinthians finalmente empataram sem gols e encerraram a sequência.
O contexto por trás do número
Por 65 partidas seguidas, toda vez que um árbitro apitou o fim do jogo na Série A 2026, pelo menos um gol tinha sido marcado. Isso significa que, do primeiro ao último minuto de cada partida, havia algo em disputa além do ponto. A Série A jamais havia chegado a isso. O recorde de 1964 resistiu por mais de seis décadas.
O que chama atenção não é apenas a sequência em si, mas quem contribuiu para sustentá-la. Os quatro clubes que terminaram a Série A 2025 na zona de rebaixamento, Botafogo, Remo, Cruzeiro e Internacional, marcaram em média 5,75 gols nas primeiras seis rodadas de 2026. Os quatro rebaixados de 2024 (Atlético Mineiro, Grêmio, Santos e Sport), no mesmo recorte, tinham marcado 4,25. A mudança é nítida: os times que teoricamente teriam mais motivo para se fechar estavam entre os que mais balançaram as redes.
Comparação que diz tudo
Para entender a escala do recorde, basta uma proporção: a Taça Brasil de 1964 tinha formato eliminatório, com jogos de alta tensão e resultado obrigatório. Mesmo assim, ficou em 48 partidas. O Brasileirão de pontos corridos de 2026, onde empatar tem valor, chegou a 65. São 35% a mais que o recorde anterior, em um campeonato onde perder pontos em empate é absolutamente aceitável táticamente.
A média geral de gols por partida na Série A 2026 ficou em 2,69 por jogo, a mais alta das últimas quatro edições. Não é coincidência: é consequência de um futebol brasileiro que trocou a retranca como segurança pela pressão como identidade.
O que os números dizem:
O fim do 0 a 0 no Brasileirão não é uma anomalia estatística. É a evidência de uma mudança tática real. Técnicos que antes construíam times para não perder agora constroem times para vencer. O risco subiu. Os gols subiram junto. E um recorde que durava desde 1964 foi derrubado não por um time, mas por todos os vinte ao mesmo tempo.