Vasco, 777 Partners e a SAF que não veio
Foto: Wikimedia Commons / Vasco da Gama
Fora da Caixa 2026-04-07 2 min de leitura

Vasco, 777 Partners e a SAF que não veio

Marina Costa
Jornalista Esportiva

O Vasco foi vendido para a 777 Partners em 2022 com promessa de R$ 700 milhões em investimento. A 777 Partners não cumpriu os aportes. O clube entrou em disputa judicial. Em 2026, o Vasco ocupa a última posição da tabela com um ponto em quatro jogos.

A história da SAF do Vasco é um caso de estudo do que pode dar errado quando futebol encontra capital financeiro sem compromisso real.

O que a 777 Partners prometeu

O contrato revelado publicamente previa investimento mínimo de R$ 1,9 bilhão até 2026. Orçamento top 5 do Brasil. Cláusula com título da Libertadores. Veto a rivais do Rio de Janeiro na carteira de investimentos da empresa.

A 777 Partners era apresentada como o modelo americano de investimento em futebol: capital, gestão profissional, visão de longo prazo. O mesmo modelo que fez o Manchester City crescer, que transformou o RB Leipzig, que está funcionando em clubes pelo mundo.

O Vasco vendeu 70% da SAF com essa perspectiva.

O que a 777 Partners entregou

Os aportes não foram cumpridos. A 777 Partners, que tinha investimentos em aviação, seguros e outros setores além do futebol, entrou em dificuldades financeiras. O controle administrativo do clube passou para a A-CAP, seguradora americana. O restante das ações foi para disputa judicial.

O resultado prático: o Vasco de 2026 não tem o investimento prometido, tem estrutura administrativa em transição e está na última posição do Brasileirão.

O que o modelo SAF revelou ser mais complicado do que parecia

A Lei das SAFs foi pensada para trazer investimento sério ao futebol brasileiro. É um instrumento correto. Mas o instrumento não garante a qualidade do investidor.

O Vasco escolheu um parceiro que não tinha histórico sólido no futebol, a 777 comprou o Genoa e participação no Sevilla, mas sem resultado concreto relevante, e que tinha negócio altamente diversificado, o que significava que o futebol era uma parte pequena de uma operação maior.

Quando a operação maior entrou em dificuldade, o futebol sofreu junto.

O que outros clubes SAF estão fazendo diferente

O Botafogo com John Textor é o caso de maior sucesso relativo, título brasileiro e Libertadores em 2024. O investidor tem foco no futebol como negócio principal, tem presença pessoal na gestão, tem histórico de acompanhar o dia a dia do clube.

A diferença não é só o valor do investimento. É o comprometimento do investidor com o projeto específico.

O que o Vasco precisa agora

Clareza jurídica sobre a estrutura societária. Um novo parceiro que cumpra o que a 777 não cumpriu. E, enquanto isso não acontece, um time que evite o rebaixamento, o que, com um ponto em quatro jogos, não está nada garantido.

O Vasco tem história, tem torcida, tem potencial de mercado. Mas história e torcida não ganham jogo. E potencial de mercado não resolve a tabela do Brasileirão.

A SAF deveria ser o mecanismo de modernização do clube. Até agora, criou mais instabilidade do que o modelo anterior.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo