Seleção feminina em 2026: o 3-4-3 de Arthur Elias é o que falta para 2027
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Prancheta 2026-04-06 4 min de leitura

Seleção feminina em 2026: o 3-4-3 de Arthur Elias é o que falta para 2027

Rafael Teixeira
Jornalista Esportivo
## O contexto único de 2027 A Copa do Mundo Feminina de 2027 acontece no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho. É a primeira vez que um país sul-americano recebe o torneio. Isso muda a equação de preparação da seleção brasileira: o fator casa elimina o problema de adaptação climática e de fuso horário, mas aumenta a pressão por resultado de forma exponencial. O melhor resultado do Brasil em Copas foi o vice em 2007, contra a Alemanha. A pergunta de 2026 é se a seleção comandada por Arthur Elias tem o nível técnico e tático para competir com as melhores do mundo diante da torcida brasileira. ## O 3-4-3 de Arthur Elias Arthur Elias adotou 3-4-3 como sistema base da seleção feminina. A mudança para três zagueiros foi uma escolha deliberada para ampliar a construção: com três defensores, o time ganha um jogador adicional na saída de bola, o que facilita a construção contra times que pressionam alto. Os dois wing-backs no 3-4-3 têm função dupla: cobertura lateral defensiva e chegada ofensiva pelos corredores. Nas jogadoras disponíveis para o Brasil, o perfil de wing-back que executa as duas funções com consistência é a maior limitação do sistema. Marta, com 40 anos na Copa de 2027, opera em posição de menor desgaste físico no 3-4-3: ela funciona como o meia adiantado central, recebendo entre as linhas com liberdade de movimentação. O sistema foi adaptado para que a maior jogadora da história do futebol feminino seja útil mesmo sem a explosão física de uma década atrás. ## Os dados dos últimos 12 meses Nos últimos 12 meses de competições e amistosos, a seleção feminina tem aproveitamento de 68% (13 vitórias, 4 empates e 2 derrotas em 19 jogos). O número coloca o Brasil em nível competitivo internacional, mas não no topo: EUA, Espanha e Inglaterra têm aproveitamentos acima de 75% no mesmo período. O dado de gols marcados é forte: 2,8 por jogo, terceiro entre as seleções com mais de 15 jogos no período. O de gols sofridos é o gap mais visível: 1,1 por jogo, acima dos 0,6 de Espanha e dos 0,7 dos EUA. A diferença defensiva está na organização fora de posse. O 3-4-3 de Elias é ofensivamente eficiente mas defensivamente exige que os cinco jogadores da linha de fundo (três zagueiros mais dois wing-backs) estejam bem posicionados quando o time não tem bola. Quando um dos wing-backs está fora de posição, o corredor fica exposto. ## O gap com as favoritas As candidatas ao título de 2027 são Espanha (atual campeã do mundo), EUA, Inglaterra e Alemanha, todas com sistemas táticos mais consolidados do que o Brasil. A Espanha de Montse Tomé usa o mesmo 4-3-3 da seleção masculina: posse alta, pressing organizado, PPDA dos menores do futebol feminino mundial. O gap técnico mais evidente não é o ataque (o Brasil tem qualidade ofensiva para competir), mas o pressing. A seleção feminina brasileira tem PPDA de 10,8 nos últimos 10 jogos, contra 7,2 da Espanha e 7,8 dos EUA. A diferença de quase 3 pontos indica que o Brasil não pressiona com a mesma eficiência das favoritas ao fora de posse. Elias tem 12 meses para reduzir esse gap. O calendário de 2026 inclui amistosos contra seleções de diferentes níveis e o Campeonato Sul-Americano, que vai servir como preparação. ## O fator Bia Zaneratto e a geração nova Bia Zaneratto, artilheira da seleção nos últimos dois anos, é a referência do ataque. Com 31 anos em 2027, estará no auge ou próximo do pico. Os dados dela nos últimos 12 meses: 0,62 xG por 90 minutos, mais do que qualquer outra jogadora brasileira e acima da média das artilheiras das seleções favoritas. A geração nova inclui Priscila, meio-campista do Barcelona Feminino, e Aline Gomes, lateral direita. Priscila tem 24 anos e é a jogadora com mais passes progressivos da seleção (8,9 por 90 minutos). Se ela mantiver o nível até 2027, o Brasil terá a peça de progressão que faltava no sistema de Elias. ## Diagnóstico A seleção feminina tem ataque para competir com as favoritas mas defesa abaixo do nível das três melhores do mundo. O pressing precisa melhorar, os wing-backs precisam de maior consistência defensiva e o sistema de 3-4-3 precisa funcionar mesmo quando Marta não está em auge físico. Com Copa em casa, o Brasil tem o fator pressão e torcida jogando a favor. Em 2027, isso pode ser suficiente para compensar parte do gap tático.
Rafael Teixeira Jornalista Esportivo

Rafael Teixeira tem 34 anos e nasceu em Goiânia. Formado em Educação Física pela UFG, trabalhou como analista de performance no Goiás EC entre 2018 e 2022, onde participou do acesso à Série A em 2018.... Ler perfil completo