O PSG entra nas quartas da Champions League com 34 gols marcados em 25.2 xG acumulados na competição. O Liverpool, com o mesmo número de jogos, fez 24 gols de 27.7 xG. A diferença de eficiência é o primeiro dado que define o desequilíbrio entre os dois times.
O jogo de ida acontece nesta quarta-feira, no Parc des Princes, a partir das 16h (horário de Brasília). O PSG defende o título europeu conquistado na temporada passada, quando eliminou exatamente o Liverpool nas oitavas de final, nos pênaltis.
Os sistemas
Luis Enrique organiza o PSG num 4-3-3 que, na posse, se transforma em 3-2-5 pela sobreposição de Nuno Mendes no corredor esquerdo. O lateral português libera Kvaratskhelia para atuar mais centralizado, gerando triangulações rápidas na zona de criação. É por ali que o ataque do PSG respira.
O Liverpool de Arne Slot trabalha em 4-2-3-1. Na fase defensiva, o bloco cai para médio-baixo, com os dois pivôs, Gravenberch e Mac Allister, cobrindo as linhas de passe centrais. A pressão é ativada a partir de gatilhos específicos: recepção do goleiro adversário e passe para o zagueiro mais longe da bola.
O ponto de tensão: corredor esquerdo do PSG
Kvaratskhelia tem 10 gols e seis assistências em 20 jogos na Champions nesta temporada. O georgiano acumula 127.8 minutos de média por participação em gol, o índice mais alto entre os extremos do torneio. Mas o número que mais importa taticamente é o seguinte: 64% das progressões ofensivas do PSG passam pelo lado esquerdo quando Nuno Mendes é titular.
O Liverpool perdeu Conor Bradley por lesão. O lado direito defensivo fica com Frimpong ou Gomez. Nenhum dos dois tem o perfil de marcação individual que a ameaça de Kvaratskhelia exige. O PSG vai explorar esse corredor desde o início.
Como o PSG quebra o bloco médio
O Liverpool recua quando não tem a bola. Nos últimos seis jogos, Slot posicionou seu bloco entre as linhas 4-4 e 5-5 do campo contra equipes com posse qualificada. Contra esse tipo de defesa, o PSG usa três mecanismos.
O primeiro é a rotação do triângulo de meio-campo. Vitinha desce para receber entre as linhas adversárias, João Neves abre para o corredor direito com Hakimi, e Zaïre-Emery faz o movimento de chegada pela segunda linha. O espaçamento é calculado para não deixar o quarteto defensivo do Liverpool reagir com compactação.
O segundo mecanismo é o passe em profundidade pelas costas do lateral. Dembélé, no corredor direito, tende a partir em diagonal para dentro, criando espaço para Hakimi avançar. A circulação rápida entre os três na saída de bola força o lateral adversário a escolher entre marcar o extremo ou cobrir o espaço nas costas.
O terceiro mecanismo é a inversão de Kvaratskhelia. Quando Nuno Mendes sobe, o georgiano aparece centralizado para finalizar de longe ou combinar em um toque. Os seis gols de Kvaratskhelia fora da área na Champions esta temporada não são acidente.
O que o Liverpool pode fazer
A única forma do Liverpool anular o corredor esquerdo do PSG é subir a linha de pressão antes que Nuno Mendes receba com espaço para avançar. O problema é que o PSG tem saída de bola rápida pelo terceiro homem. Vitinha e João Neves raramente perdem a posse sob pressão, com taxa de perda de bola de 8.3% combinado na fase de grupos.
O Liverpool chegou às quartas após vencer o Galatasaray por 4 a 0 no jogo de volta. Antes disso, perdeu dois jogos consecutivos na Premier League, incluindo uma goleada de 4 a 0 sofrida para o Manchester City no FA Cup. A equipe de Slot não venceu mais de dois jogos seguidos desde o início de março.
O argumento ofensivo do Liverpool passa por Mohamed Salah e pela chegada de Florian Wirtz. Os dois somam 18 gols e 14 assistências na temporada. Mas a construção que alimenta os dois depende de Mac Allister e Szoboszlai, e o PSG cobre exatamente esse corredor central com João Neves.
Projeção tática
O jogo de ida no Parc des Princes tende a ser controlado pelo PSG nos primeiros 30 minutos. A posse do time de Luis Enrique na fase eliminatória é de 61% em média, com variância baixa, o que indica consistência de sistema.
O Liverpool vai tentar um dos dois caminhos: pressão alta nos primeiros 15 minutos para desorganizar a saída de bola do PSG, ou bloco baixo compacto para forçar o jogo para as costas das linhas. O segundo cenário favorece o time francês, que tem nos cruzamentos de Hakimi e nas finalizações de fora da área de Kvaratskhelia suas armas mais eficientes contra defesas fechadas.
O duelo de ida vai ser definido pelo controle do corredor esquerdo do PSG. Se Nuno Mendes e Kvaratskhelia conseguirem dois terços dos duelos naquela faixa, o PSG vence. Se o Liverpool adiantar a linha e forçar erros na construção, o jogo fica aberto.