Prancheta: Palmeiras estreia na Libertadores 2026
Foto: Cesar Greco / Palmeiras
Prancheta 2026-04-06 3 min de leitura

Prancheta: Palmeiras estreia na Libertadores 2026

Rafael Teixeira
Jornalista Esportivo

Prancheta: Palmeiras estreia na Libertadores 2026

Rafael Teixeira | Prancheta | Copa Libertadores 2026, Fase de Grupos

O Palmeiras abre a fase de grupos da Copa Libertadores 2026 na quarta-feira, 8 de abril, contra o Junior Barranquilla em Cartagena. O jogo não é em Barranquilla porque o estádio do Junior está em reforma para sediar a final da Copa Sul-Americana. A mudança de praça altera o nível de pressão ambiental: o Estadio Jaime Morón León tem capacidade menor e público menos hostil do que o Metropolitano. O Palmeiras é líder do Brasileirão com 25 pontos, melhor início na era Abel Ferreira. São quatro conquistados no Paulistão 2026 e onze títulos totais para o técnico português, o maior número da história do clube.

O sistema

Abel Ferreira usa o 4-3-3 como base fixa, com variação para o 4-2-3-1 em fases de proteção e nos momentos em que o adversário aperta a marcação. O bloco médio é a referência defensiva: linhas de 4-4-2 sem bola, com os dois meias externos caindo para fechar os corredores. A saída de bola é feita pelos laterais projetados. Piquerez à esquerda tem liberdade para avançar até o terço final, enquanto Giay, pelo lado direito, equilibra mais a posição e oferece a primeira linha de passe na construção.

Marlon Freitas e Andreas Pereira formam o miolo de meio. Freitas é o referencial de recuperação: 4,3 duelos vencidos por jogo no Brasileirão, maior índice do plantel. Andreas gerencia o ritmo e conecta as linhas, com 2,8 passes decisivos por jogo na temporada. A função de progressão pelo lado cabe a Flaco López, mais provável titular na estreia. O argentino tem capacidade de fixar marcadores e criar espaço para as movimentações diagonais dos extremos. Vitor Roque é opção no banco e pode ser poupado para a sequência do calendário.

A ausência de Estevão

O atacante está se recuperando de lesão muscular e não viaja para Cartagena. A ausência importa taticamente porque Estevão é quem desequilibra com bola no corredor, cria 2,3 chances por jogo e tem a maior média de dribles do elenco. Sem ele, Abel vai usar Facundo Torres ou Dudu no lado esquerdo do ataque. Torres é mais posicional e menos vertical que Estevão, o que reduz a capacidade de ruptura pelo flanco. A solução passa pelas sobreposições de Piquerez e pela triangulação no corredor para compensar.

O adversário: como o Junior joga

O Junior Barranquilla é o quinto colocado do Apertura colombiano 2026 e tem como principal arma o jogo direto pelos flancos. O time de Arturo Reyes marca na linha de 4-4-2 médio e usa a transição rápida em bola longa, com dois atacantes velozes que exploram o espaço nas costas da defesa. A fragilidade está na compactação do bloco quando a bola circula no setor central: nos últimos cinco jogos da Liga BetPlay, o Junior concedeu 2,1 finalizações de dentro da área por sequência de circulação com seis ou mais passes seguidos. Time que sabe manter a bola e variar o ritmo encontra esse espaço com regularidade.

O Junior também sofre com a marcação em bola parada. Em seis jogos no campeonato colombiano, o time levou três gols em escanteios e cobranças de falta. O Palmeiras tem repertório ensaiado nessa situação, especialmente com Murilo e Gómez projetando na área. Em jogos europeus ou internacionais onde o adversário fecha o espaço, Abel costuma aumentar o volume de bolas paradas como alternativa à circulação bloqueada.

Gestão de carga e adaptação ao clima

Cartagena fica a menos de 20 metros acima do nível do mar, sem impacto de altitude. O problema é a temperatura: a cidade registra médias de 32 graus em abril, com umidade elevada. Nos dois últimos jogos do Palmeiras como visitante em competições internacionais, o time cedeu mais de 55% da posse no primeiro tempo antes de equilibrar no segundo. A gestão da intensidade no início do jogo é uma variável que Abel costuma calibrar nessas condições. O time começa mais recuado, consolida o bloco e abre o jogo quando o adversário perde energia física.

Abel tende a rotacionar três ou quatro posições em estreias de grupos fora do Brasil. A preservação é física mais do que tática, com jogadores de meio e lateral sendo os mais poupados. A base do time permanece intacta.

Formação provável

Palmeiras (4-3-3): Carlos Miguel; Giay, Gómez, Murilo, Piquerez; Marlon Freitas, Andreas Pereira, Raphael Veiga; Flaco López, Paulinho, Facundo Torres.

Junior Barranquilla (4-4-2): Mele; Angulo, Ávila, Pico, Yesid Díaz; Díaz, Pérez, Bacca, Cantillo; Teo Gutiérrez, Cañas.

Para entender como o Palmeiras chegou a este momento no Brasileirão, leia a análise do Derby Paulista rodada 11. Sobre o desempenho dos líderes do continente nesta fase de grupos, veja o paralelo com a abordagem do Real Madrid na UCL.

Diagnóstico

O Palmeiras tem vantagem técnica clara sobre o Junior. O risco é operacional: calor, viagem e gestão de carga num calendário já denso com Brasileirão e agora Libertadores em paralelo. Abel tende a começar mais cauteloso fora do Brasil, mas tem peças suficientes para controlar o jogo no segundo tempo quando o ritmo cai. O resultado depende de quanto o time suporta o ambiente no primeiro tempo e encontra os espaços no bloco fechado colombiano pela circulação de bola no setor central.

Rafael Teixeira Jornalista Esportivo

Rafael Teixeira tem 34 anos e nasceu em Goiânia. Formado em Educação Física pela UFG, trabalhou como analista de performance no Goiás EC entre 2018 e 2022, onde participou do acesso à Série A em 2018.... Ler perfil completo