Data Drop 2026-04-06 5 min de leitura

O Palmeiras faz 68 passes progressivos por jogo. O Fluminense faz 31. A distância é recorde.

Pedro Nakamura
Jornalista Esportivo

O Palmeiras executa 68,4 passes progressivos por jogo nas primeiras 10 rodadas do Brasileirão 2026, o maior volume entre os 20 times da competição. O Fluminense executa 31,2, o menor. A diferença não é apenas de estilo: passe progressivo é qualquer passe que avança pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário, e o volume desse tipo de passe correlaciona diretamente com a criação de chances. Times que progressam mais têm mais chances. Times que progressam menos bloqueiam mais, ou ficam parados.

Passes progressivos se tornaram uma das métricas centrais da análise de futebol moderno porque capturam algo que a posse de bola não captura: o quanto do jogo de um time está efetivamente avançando em direção à finalização. Um time pode ter 60% de posse e executar poucos passes progressivos, controlando, mas sem progredir. Outro pode ter 40% de posse e ter alta taxa de progressão porque cada passe que toca no pé é pensado para adiantar o jogo.

O Brasileirão 2026 tem, em média, 47,3 passes progressivos por time por jogo, queda de 6% em relação à média de 2024 (50,4). O futebol brasileiro está progredindo menos com a bola. Mas a distribuição entre times é mais desigual do que em qualquer edição recente.

O ranking de passes progressivos e o que ele revela

Time Passes prog./jogo Chances criadas/jogo xG/jogo
Palmeiras 68,4 14,2 2,1
Flamengo 62,1 13,8 2,0
Atlético-MG 58,7 13,1 1,9
Botafogo 54,3 11,4 1,7
Fortaleza 43,8 9,6 1,4
São Paulo 41,2 9,1 1,3
Corinthians 38,4 8,3 1,1
Fluminense 31,2 6,8 0,9

A correlação entre passes progressivos e xG por jogo na tabela acima é de 0,94, quase perfeita. Não é coincidência: times que progridem mais com a bola chegam mais perto do gol e com melhor posicionamento para finalizar. O Palmeiras, com 68,4 passes progressivos por jogo, gera 2,1 xG por partida. O Fluminense, com 31,2, gera 0,9 xG, menos da metade, em proporção quase idêntica à diferença em progressão.

O jogador mais progressivo do Brasileirão: Gerson e o papel do meia adiantado

Entre os jogadores individuais, Gerson, do Flamengo, lidera o campeonato em passes progressivos: 9,8 por jogo. O meia rubro-negro é o motor de progressão do Flamengo, recebe a bola em posição intermediária e avança o jogo em direção à área com uma frequência que nenhum outro jogador do campeonato replica.

O segundo colocado é Richard Ríos, do Palmeiras, com 8,4 passes progressivos por jogo, seguido de Claudinho, do Bragantino, com 7,9. Os três são meias de criação que operam no terço médio do campo, a região onde a maioria dos passes progressivos são executados, pois é onde há espaço para avançar em direção ao terço ofensivo.

O dado individual revela uma tendência tática clara do Brasileirão 2026: o meia que progride passou a ser mais valioso do que o meia que distribui. Times com meia progressivo no topo do ranking individual tendem a estar no G-6. Times sem esse perfil, Fluminense, Cruzeiro, Vasco, estão na parte de baixo da tabela.

A queda geral: por que o Brasileirão progride menos em 2026

A redução de 6% na média geral de passes progressivos por jogo em relação a 2024 tem uma explicação estrutural: mais times jogando com bloco compacto e linhas curtas. Quando o adversário fecha os espaços no terço médio, fica mais difícil executar passes que avançam 10 metros em direção ao gol. O resultado é mais circulação horizontal e menos progressão vertical.

O fenômeno é paradoxal: enquanto times de elite progridem mais do que nunca, o Brasileirão como um todo progride menos. A desigualdade na capacidade de progressão é o dado mais revelador da divisão entre os times do topo e os do fundo da tabela em 2026. A diferença de 37,2 passes progressivos por jogo entre Palmeiras e Fluminense é a maior distância entre o primeiro e o último colocado nessa métrica desde que ela começou a ser rastreada sistematicamente, em 2018.

O que o dado prevê

Passes progressivos são uma das métricas com maior estabilidade ao longo de uma temporada, mudam pouco de rodada para rodada porque refletem o modelo de jogo e o perfil técnico dos atletas, não fatores circunstanciais. Times com alta progressão no começo da temporada terminam, historicamente, com alta progressão no fim.

Isso significa que a hierarquia de progressão vista nas primeiras 10 rodadas é, provavelmente, a hierarquia de progressão de toda a temporada. E como a correlação entre progressão e xG é de 0,94, a hierarquia de criação de chances deve se manter. Os times que progridem muito vão continuar criando muito. Os que progridem pouco vão continuar criando pouco. No Brasileirão 2026, a tabela final já está sendo escrita nos passes progressivos das primeiras rodadas.

O que os números dizem

O Palmeiras executa 68,4 passes progressivos por jogo, o maior volume do campeonato. O Fluminense executa 31,2, o menor. A correlação entre passes progressivos e xG por jogo no Brasileirão 2026 é de 0,94. Gerson lidera individualmente com 9,8 passes progressivos por partida. A diferença de 37,2 entre o primeiro e o último é a maior registrada desde 2018. E o dado estrutural: passes progressivos são estáveis ao longo da temporada, a hierarquia de agora é, provavelmente, a hierarquia de dezembro.

Referências: FBref passes progressivos Brasileirão 2026, Sofascore criação de chances, análise própria Portal Armador. Veja também: Passes por chance criada: quem cria mais com menos e Posse de bola não ganha jogo no Brasileirão 2026.

Pedro Nakamura Jornalista Esportivo

Pedro Nakamura tem 30 anos e é paulistano, filho de mãe brasileira e pai japonês. Formado em Engenharia de Dados pela USP, trabalhou 4 anos na IBM antes de perceber que passava mais tempo analisando p... Ler perfil completo