Palmeiras 2026: 25 pontos, cinco vitórias seguidas é o meio-campo que explica tudo
Wikimedia Commons
Leitura Tática 2026-04-06 4 min de leitura

Palmeiras 2026: 25 pontos, cinco vitórias seguidas é o meio-campo que explica tudo

Rafael Teixeira
Jornalista Esportivo
## Cinco vitórias e 25 pontos O Palmeiras venceu o Bahia por 2 a 1 no domingo, 5 de abril, na Arena Fonte Nova, e chegou a 25 pontos no Brasileirão 2026. A vantagem sobre o Fluminense, segundo colocado, é de 5 pontos com a décima rodada chegando. Cinco vitórias consecutivas, nenhum gol sofrido nas últimas três partidas. O número que mais chama atenção nos dados do Palmeiras não é o de gols marcados, mas o PPDA: 8,7 nas primeiras nove rodadas. É o melhor número da liga. Para referência, a média dos outros times do top 5 é 11,3. O Palmeiras pressiona e recupera a bola com uma frequência que nenhum outro time do campeonato sustenta. ## Marlon Freitas: a chegada que mudou o meio-campo A transferência de Marlon Freitas do Botafogo para o Palmeiras no início de 2026 foi o movimento mais impactante da janela de inverno do Brasileirão. O volante chegou para substituir o papel de primeiro organizador e alterou a engrenagem central do time. Marlon Freitas tem 9,1 passes progressivos por 90 minutos, mais do que qualquer outro volante do campeonato. Ele recebe profundo, raramente perde a bola no bloco defensivo (76% de sucesso em duelos de retenção) e distribui rapidamente antes da chegada da pressão adversária. O mais relevante é que Marlon Freitas libera os outros dois meias para funções mais ofensivas. Antes da chegada do volante, o Palmeiras precisava de um dos meias recuando para cobrir a zona de primeiro passe. Com Marlon Freitas no papel, os dois meias adiantados podem orbitar mais próximos ao último terço. A diferença nos dados é visível: nas primeiras 4 rodadas sem Marlon Freitas, o Palmeiras tinha 4,1 recuperações de bola no terço ofensivo por jogo. Com o volante integrado, o número subiu para 6,8. A pressão alta se tornou mais eficiente porque tem o pivô certo para iniciar a saída de bola após a recuperação. ## O 4-2-3-1 de Abel: posse e transição Abel Ferreira opera em 4-2-3-1 com variações para 4-3-3 em função do adversário. A dupla de volantes, Marlon Freitas e Aníbal Moreno, forma um bloco de dois com funções distintas: Marlon organiza e distribui, Moreno cobre os corredores e realiza o trabalho de interceptação. O ataque tem Estevão pela direita, Raphael Veiga como meia adiantado e Facundo Torres pela esquerda. Flaco López é o centroavante de referência, mas Abel o substitui por Mauricio nos jogos em que precisa de mais mobilidade atrás da linha adversária. O padrão ofensivo principal é a saída pelo lado esquerdo: Torres e o lateral Piquerez se combinam em trocas de posição, com Torres indo para dentro quando Piquerez avança. O corredor esquerdo participou de 41% dos ataques do Palmeiras nas últimas cinco rodadas. Estevão, pelo lado direito, tem função diferente: mais apoio estático, esperando a bola chegar já com o adversário desorganizado. O jovem do Palmeiras registra 4,1 dribles tentados por 90 minutos, menor número entre os extremos do time, mas tem a maior taxa de conversão em finalização após o drible: 0,42 xG por 90. ## Bola parada: o diferencial histórico continua Abel Ferreira é o técnico com mais gols de bola parada no Brasileirão desde que chegou ao clube. O Palmeiras marcou 4 gols de escanteio e 2 de falta nas primeiras nove rodadas de 2026. Total de 6 gols de bola parada em 9 jogos, proporção acima de qualquer outro time da competição. O mecanismo de escanteio principal usa Murilo e Gomez como alvos no primeiro e segundo pau. A trajetória da bola é sempre rasteira nos primeiros três metros, depois curva para a área. O padrão é reconhecível, mas a execução física de Murilo (1,95 m, 12,6% de duelos aéreos ganhos entre zagueiros do Brasileirão) torna difícil a defesa mesmo quando o adversário sabe o que vem. A bola parada é o mecanismo que tira pontos dos adversários nos momentos em que o Palmeiras não está dominando o jogo aberto. Das últimas 5 vitórias, 3 incluíram ao menos um gol de bola parada. ## O que dificulta o Palmeiras O sistema do Palmeiras tem um padrão de vulnerabilidade identificável: o time tem dificuldade contra pressing alto no campo defensivo quando Marlon Freitas é marcado individualmente. Em 3 dos últimos 9 jogos, quando o adversário designou um jogador para seguir Marlon Freitas na saída de bola, o Palmeiras teve mais erros na construção inicial. Contra o Bahia, o adversário tentou essa estratégia nos primeiros 20 minutos. O Palmeiras respondeu com bolas longas diretas para Flaco López e o segundo lance, saindo da dependência de Marlon Freitas na construção. Abel adaptou o jogo dentro dos primeiros 25 minutos. A capacidade de ajuste dentro do jogo é o que diferencia o sistema de Abel dos outros times da liga. O Palmeiras tem padrões claros de saída, mas também tem alternativas quando o padrão principal é bloqueado. Isso reduz a previsibilidade e aumenta a margem de manobra do treinador. ## Diagnóstico O Palmeiras 2026 é o candidato mais consistente ao título. PPDA 8,7, liderança em recuperações no campo ofensivo, bola parada funcional e um novo pivô que organiza melhor do que qualquer predecessor. A única dúvida é se o ritmo sustenta ao longo das 38 rodadas.
Rafael Teixeira Jornalista Esportivo

Rafael Teixeira tem 34 anos e nasceu em Goiânia. Formado em Educação Física pela UFG, trabalhou como analista de performance no Goiás EC entre 2018 e 2022, onde participou do acesso à Série A em 2018.... Ler perfil completo