Libertadores 2026: Flamengo defende título com defesa em crise
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Prancheta 2026-04-07 3 min de leitura

Libertadores 2026: Flamengo defende título com defesa em crise

Rafael Teixeira
Jornalista Esportivo
## O grupo mais fácil que pode se tornar complicado O Flamengo foi sorteado no Grupo A da Copa Libertadores 2026 com Estudiantes de La Plata, Cusco FC e Independiente Medellín. No papel, é o grupo mais favorável possível para um campeão continental em defesa do título. Cusco é o representante peruano sem histórico de dificuldades ao time rubro-negro. Medellín e Estudiantes têm peso continental, mas não chegam a 2026 no nível dos melhores da Argentina e Colômbia. O problema do Flamengo na Libertadores 2026 não está nos adversários do grupo. Está na própria equipe. ## O carregamento histórico de 2025 O Flamengo chegou ao título da Libertadores 2025 após uma temporada de desgaste físico e mental. Ganhou Carioca, Supercopa do Rei, Brasileirão e Libertadores. A carga foi compatível com o elenco disponível, mas o custo chegou na temporada seguinte. Em 2026, o Brasileirão mostra um time diferente. Os 20 gols sofridos em 14 partidas e apenas um jogo sem ser vazado indicam uma equipe que perdeu os automatismos defensivos que tornaram 2025 possível. Levar essa fragilidade para uma competição continental onde os adversários diretos têm meses para preparar a abordagem cria risco real de eliminação nas fases mais avançadas. ## A altitude de Cusco como termômetro O jogo em Cusco, no Estádio Inca Garcilaso de la Vega a mais de 3.400 metros de altitude, será o teste físico mais exigente do grupo para o Flamengo. A altitude reduz a capacidade aeróbica em até 20% para jogadores não adaptados e compromete diretamente o pressing alto, que é a base do sistema de Filipe Luís. Equipes que dependem de pressing intenso para criar superioridades costumam sofrer mais em altitude. Sem a pressão eficaz, o jogo fica mais aberto e exposto às transições adversárias, exatamente o cenário que tem custado gols ao Flamengo em 2026. ## Estudiantes: o adversário de referência do grupo O Estudiantes de La Plata é o adversário com maior experiência continental no grupo. O clube argentino tem histórico de jogar fechado no campo defensivo em jogos fora de casa e explorar bola parada e transições rápidas em casa. É exatamente o modelo que mais incomoda equipes de posse como o Flamengo. Nos jogos da fase de grupos em La Plata, o Flamengo precisará equilibrar pressão ofensiva com organização defensiva. O Estudiantes tem marcação por zonas compactas e usa a profundidade dos corredores para criar desequilíbrio quando os laterais adversários sobem. ## O que Filipe Luís precisa resolver antes das oitavas A fase de grupos tem função dupla: classificar e ajustar. Para o Flamengo, o ajuste mais urgente é recalibrar a linha defensiva. Se os jogos de grupo servirem apenas para confirmar a classificação sem resolver a fragilidade estrutural, a equipe chegará nas oitavas exposta aos melhores adversários da competição. Os candidatos a adversários a partir das oitavas incluem Palmeiras, Boca Juniors, Peñarol e Nacional. Todos têm, cada um à sua maneira, capacidade para explorar as transições que o Flamengo tem concedido. ## Conclusão O Flamengo é favorito para sair do Grupo A. A questão tática relevante não é se avança, mas em que condição defensiva avança. A fase de grupos precisa funcionar como laboratório para o ajuste que ainda não foi encontrado no Brasileirão.
Rafael Teixeira Jornalista Esportivo

Rafael Teixeira tem 34 anos e nasceu em Goiânia. Formado em Educação Física pela UFG, trabalhou como analista de performance no Goiás EC entre 2018 e 2022, onde participou do acesso à Série A em 2018.... Ler perfil completo