Ary Borges joga no Angel City. Você sabe quem ela e?
Foto: Wikimedia Commons / CBF
Ela em Campo 2026-04-07 3 min de leitura

Ary Borges joga no Angel City. Você sabe quem ela e?

Marina Costa
Jornalista Esportiva

Ary Borges joga no Angel City. Gabi Portilho no San Diego Wave. Tarciane defende o Houston Dash. Adriana tem historico consolidado em time de destaque no exterior. Sao jogadoras brasileiras atuando nos melhores torneios femininos do mundo.

Pergunte para qualquer torcedor de futebol masculino quem sao essas mulheres. A maioria não vai saber responder.

E o Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina em 2027.

O problema de identidade que o futebol feminino brasileiro carrega

O futebol feminino brasileiro exporta qualidade. Marta e a maior jogadora da historia. Formiga jogou em cinco Copas do Mundo. As geracoes seguintes continuam sendo boas o suficiente para jogar na NWSL americana, na liga espanhola, no futebol europeu.

O que o pais não exporta e narrativa sobre essas jogadoras. Elas existem, jogam bem, acumulam titulos e participacoes internacionais, e a cobertura brasileira raramente chega no nivel de detalhe que a situacao merece.

Ary Borges passou por times de ponta. Gabi Portilho tem historial com a seleção que justificaria cobertura constante. Tarciane e uma das melhores defensoras brasileiras dos ultimos anos. Quando foi a ultima vez que voce leu uma analise tecnica detalhada sobre a qualidade defensiva de Tarciane?

O que Arthur Elias esta construindo que ninguem esta assistindo

Arthur Elias construiu um nucleo consistente na seleção: Isa Haas, Luany, Tarciane, Yasmin ao lado de veteranas como Angelina, Duda Sampaio e Gabi Portilho. Luana voltou apos superar cancer. Ha historia. Ha qualidade. Ha processo.

E esse processo acontece em silencio relativo. A FIFA Series de 2026 foi transmitida pela GE TV e Globo, bom sinal. Mas o nivel de debate tactico, de analise de desempenho, de critica construtiva ainda e uma fracao do que o futebol masculino recebe.

Nao e exagero afirmar que a maioria dos jornalistas esportivos brasileiros conhece muito melhor o sistema tatico de Ancelotti para a seleção masculina do que o 4-3-3 que Arthur Elias vem implementando para 2027.

O que Marta representa, e o que vem depois

Marta tem 40 anos em 2026. Pode ou não ser convocada para 2027. A transicao geracional no futebol feminino brasileiro e real e necessaria.

O perigo e o seguinte: enquanto Marta jogava, o futebol feminino tinha um rosto reconhecivel para o publico geral. Com a saida gradual de Marta, o futebol feminino brasileiro vai precisar que as novas liderancas tenham visibilidade construida antes do torneio, não durante.

Copa do Mundo de 2027 no Maracana com uma seleção de jogadoras que o publico brasileiro não conhece e um produto de audiencia fraca. Isso prejudica o torneio, prejudica o investimento, prejudica o futebol feminino a longo prazo.

O que a midia esportiva precisa fazer de diferente

Nao e uma critica a jornalistas especificos. E uma critica estrutural: redacoes esportivas no Brasil historicamente alocam muito mais recursos para o futebol masculino porque a audiencia e maior. E a audiencia e maior porque o produto recebe mais cobertura.

E um ciclo que so quebra com decisao editorial deliberada: cobrir futebol feminino com a mesma seriedade e o mesmo rigor que o masculino, antes que a audiencia justifique o investimento, sabendo que o investimento e que vai criar a audiencia.

A Copa 2027 e a oportunidade. O Maracana cheio na final feminina, com o Brasil no jogo, e uma imagem que pode mudar o mercado. Mas para isso, o torcedor precisa chegar em 2027 conhecendo Ary Borges, conhecendo Tarciane, sabendo quem esta em campo e porque importa.

Eles tem um ano e alguns meses para aprender. O reloj esta correndo. E a cobertura ainda não arrancou.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo