Futebol feminino: o Brasil vai sediar Copa e não garante salário minimo
FIFA / Wikimedia Commons
Ela em Campo 2026-04-07 3 min de leitura

Futebol feminino: o Brasil vai sediar Copa e não garante salário minimo

Marina Costa
Jornalista Esportiva

O Corinthians Feminino tem sete titulos nacionais. O Palmeiras Feminino ganhou a Supercopa de 2026. A seleção brasileira feminina vai disputar Copa do Mundo em casa em 2027.

E ainda hoje, no Brasil, não existe um contrato coletivo de trabalho para jogadoras de futebol feminino que garanta salario minimo, licenca maternidade e direitos basicos de trabalho.

O que o futebol feminino brasileiro tem

Talento. Muito. O Brasil tem jogadoras no Lyon, no Barcelona, no Arsenal, no Chelsea. Jogadoras que a Europa busca ativamente, o que e confirmacao objetiva de qualidade.

Tem competicao. O Brasileirão Feminino de 2026 tem 18 times. O Corinthians tem projeto serio com resultados. O Palmeiras investiu e ganhou. A Ferroviaria, de Araraquara, e um dos melhores projetos do futebol feminino brasileiro sem os recursos que os grandes tem.

E tem crescimento de cobertura, lento, inconsistente, mas existente. Mais jogos transmitidos do que ha cinco anos. Mais analistas discutindo os jogos com rigor.

O que o futebol feminino brasileiro não tem

Salario minimo estabelecido. Jogadora de clube da primeira divisao do futebol feminino brasileiro pode receber menos do que um funcionario de escritorio. A disparidade salarial em relacao ao futebol masculino e gritante, e não e so o Brasil que tem esse problema, mas o Brasil esta entre os piores da America do Sul.

Licenca maternidade garantida. Uma jogadora que engravida pode perder o emprego. Nao por lei, a lei protege, mas na pratica, o contrato não e renovado, o clube não chama para treino, a carreira para.

Estrutura de base sistematizada. Os clubes que formam bem no feminino sao excecao, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Ferroviaria. A maioria dos clubes não tem base feminina estruturada. Isso significa que o talento natural que aparece no Brasil interior nunca chega a um clube que o desenvolva.

O que a Copa de 2027 exige que o Brasil não pode mais ignorar

Um mercado de futebol feminino que atraia e retenha as melhores jogadoras brasileiras. Hoje, a melhor saida para uma jogadora brasileira de alto nivel e a Europa, salario maior, estrutura melhor, visibilidade maior. Isso não e defeito da jogadora, e sinal de que o produto local não compete.

Para a Copa de 2027 ser memoravel, para o Maracana encher, para o Brasil ganhar, para o futebol feminino crescer definitivamente, o pais precisa de um mercado interno que funcione. Jogadoras que ficam no Brasil. Liga forte que gera audiencia. Torcida que acompanha o ano todo, não so em Copa.

Quem precisa agir e ainda não agiu

A CBF: protocolo de salario minimo como condicao para participar do Brasileirão Feminino. Clube que não paga salario digno não entra no torneio.

O governo federal: investimento direto em futebol feminino de base, via Lei Geral do Esporte ou mecanismo equivalente. Nao doacao, investimento com contrapartida de resultados.

Os clubes: tratar o feminino como projeto de longo prazo, não como custo que pode ser cortado na primeira dificuldade financeira.

A Copa de 2027 esta chegando. O Brasil vai sediar o maior evento do futebol feminino. O futebol feminino brasileiro ainda não esta pronto para ser o produto que esse evento merece. Ha tempo, mas o tempo esta passando.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo