Fluminense de Zubeldía: vice-liderança construída em bola parada
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Leitura Tática 2026-04-07 3 min de leitura

Fluminense de Zubeldía: vice-liderança construída em bola parada

Rafael Teixeira
Jornalista Esportivo
## A virada de chave Luis Zubeldía assumiu o Fluminense em setembro de 2025 com o clube fora do G-4. Desde então, o time acumulou 46 pontos no período, tornando-se o time com maior pontuação desde a chegada do argentino. Em 2026, a equipe ocupa a vice-liderança com 19 pontos e tem uma característica que a diferencia: seis dos oito gols de bola parada da era Zubeldía saíram nesta temporada. O Fluminense transformou a bola parada de vulnerabilidade em arma. Em 2025, o clube sofria com as cobranças adversárias. Em 2026, é o time que mais ameaça pelos escanteios e faltas diretas do Brasileirão. ## Como a bola parada funciona O assistente técnico Carlos Gruezo é responsável pelo treinamento das jogadas de bola parada. O repertório inclui variações de primeiro poste, segundo poste, área próxima à pequena área e marca do pênalti. Os cobradores habituais são Renê, canhoto, e Acosta, destro, com cobranças que buscam o desvio como primeiro objetivo, não a finalização direta. O desvio dificulta a marcação adversária porque sincronizar os atacantes do Fluminense com os defensores que acompanham é mais complexo do que marcar bola cruzada. Quando o desvio encontra a posição certa, a finalização acontece em situação de menor oposição. Seis gols de bola parada em 2026 representam um gol a cada 1,5 rodada, aproximadamente. Em uma competição onde a diferença de um ponto pode separar o campeão do vice, esse volume é decisivo. ## O sistema coletivo que Zubeldía construiu A bola parada não explica tudo. O Fluminense de Zubeldía é uma equipe mais compacta, mais agressiva na recuperação de bola e mais fluida nas transições ofensivas do que o time de 2025. As funções por setor estão bem definidas: a comissão técnica estruturou o que cada linha faz em cada fase do jogo. O resultado é menor variância de resultado. O Fluminense como mandante acumula 12 vitórias em 12 jogos com 25 gols marcados e apenas 4 sofridos. Como visitante, o aproveitamento também cresceu: quatro vitórias, um empate e duas derrotas nas sete partidas fora de casa em 2026. O dado que mais revela a consistência do sistema é o aproveitamento geral desde setembro de 2025: quase 70%, compatível com o que times campeões do Brasileirão geralmente produzem ao longo de uma temporada completa. ## Hércules como protagonista inesperado Um dos destaques táticos de 2026 no Fluminense é o papel de Hércules, meio-campista que vive fase artilheira. O jogador ocupa o espaço entre as linhas que Zubeldía libera quando os atacantes e os meias de criação atraem a marcação adversária. Hércules chega na segunda linha sem ser o elemento principal da jogada. Quando acontece de marcar, é porque o sistema funcionou para criar a situação, não porque o meio-campista inventou algo individualmente. ## O que o Palmeiras tem que o Fluminense não tem A diferença entre o Fluminense e o Palmeiras, que lidera com cinco pontos de vantagem, está na profundidade de elenco. O Palmeiras roda os titulares com qualidade equivalente. O Fluminense ainda depende mais de determinadas peças para manter o nível do sistema. Nos jogos em que os titulares do Fluminense são preservados ou ficam fora por lesão, o nível cai. O sistema existe, mas precisa de determinados executores para funcionar da forma ótima. Essa é a limitação que mantém o clube na vice-liderança, não na liderança. ## Conclusão O Fluminense de Zubeldía é a terceira candidatura real ao título do Brasileirão 2026, atrás do Palmeiras e disputando com São Paulo e Fluminense a posição de principal perseguidor. O sistema está construído, a bola parada está calibrada e os resultados como mandante são dos melhores do campeonato. Se o clube resolver a dependência de determinadas peças, tem capacidade de sustentar a disputa até as últimas rodadas.
Rafael Teixeira Jornalista Esportivo

Rafael Teixeira tem 34 anos e nasceu em Goiânia. Formado em Educação Física pela UFG, trabalhou como analista de performance no Goiás EC entre 2018 e 2022, onde participou do acesso à Série A em 2018.... Ler perfil completo