Gringo no Brasileirão: quando funciona e quando não funciona
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Fora da Caixa 2026-04-07 3 min de leitura

Gringo no Brasileirão: quando funciona e quando não funciona

Marina Costa
Jornalista Esportiva

O Brasileirão 2026 tem mais estrangeiros do que qualquer edicao anterior. Jogadores argentinos, uruguaios, colombianos, paraguaios, e alguns europeus que escolheram o Brasil como destino de segunda carreira.

A pergunta que ninguem faz: isso esta funcionando?

O que os numeros reais dizem

A maioria dos estrangeiros que chegam ao Brasileirão não vem para ser titular. Vem para suprir lacunas especificas, um segundo atacante, um volante de cobertura, um lateral que sabe o que esta fazendo. Sao pecas de elenco, não protagonistas.

Os casos que funcionaram nos ultimos anos tem algo em comum: chegaram em clubes com identidade tatica definida. Jonathan Calleri chegou ao São Paulo depois que o time ja sabia como jogar. Germán Cano chegou ao Fluminense quando Diniz ja tinha o sistema estabelecido. Eles se encaixaram em contextos prontos.

Os casos que não funcionaram, e sao mais numerosos, envolvem estrangeiros chegando em clubes em crise, sem tecnico definido, sem identidade clara. O gringo mal contratado não resolve problema de identidade. Quando muito, gera janela de transferencia que não precisa existir.

O modelo argentino que os brasileiros copiam errado

Os argentinos exportam jogadores para o Brasil ha decadas. O modelo funciona porque a formacao argentina e solida, os jogadores saem com base tatica forte, sabem se posicionar, sabem pressionar. Um argentino mediano no futebol brasileiro frequentemente parece bom porque chegou bem formado.

O erro que os clubes brasileiros cometem e confundir isso com "argentino e melhor do que brasileiro". Nao e. E o argentino mediocre formado num ambiente de exigencia tatica superior que parece melhor do que o brasileiro mediocre formado num ambiente menos exigente.

A solucao para o Brasil não e importar mais argentinos. E melhorar a formacao dos brasileiros ao ponto de o producto local não ter essa desvantagem de base. O problema real não e a origem do jogador, e o ambiente em que ele foi formado.

O que o Atletico-MG fez certo com Hulk (e o que ensina)

Hulk voltou ao Brasil depois de carreira na Russia e China. Chegou ao Atletico-MG com 34 anos e foi o melhor jogador do Brasileirão 2021. Liderou o time ao titulo. Inspirou uma geracao de torcedores.

Isso funcionou por tres razoes: Hulk e brasileiro, não gringo. Hulk voltou ao Brasil com maturidade que não tinha quando saiu. E o Atletico de 2021 tinha tecnico e sistema que potencializava exatamente o que Hulk oferecia.

Nao foi sorte. Foi encaixe entre jogador e contexto. E esse encaixe e o que raramente acontece com estrangeiros contratados sem criterio.

O que vai mudar (e o que não vai)

O Brasileirão de 2026 tem mais investimento estrangeiro nos clubes, SAF, fundos internacionais, parceiros europeus. Isso traz mais recursos para contratar mais estrangeiros. Mais estrangeiros não significa automaticamente melhor futebol.

O que vai mudar o nivel do Brasileirão não e a origem dos jogadores. E a qualidade do projeto. Clube com projeto claro contrata bem, brasileiro ou gringo. Clube sem projeto contrata errado, brasileiro ou gringo.

A pergunta correta não e "quantos estrangeiros tem no Brasileirão?" E "os projetos dos clubes brasileiros sao suficientemente serios para usar bem quem contratam?" E a resposta, em 2026, ainda não e unanimemente positiva.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo