Copa Feminina 2027: o Brasil não está pronto. Ainda
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Ela em Campo 2026-04-07 3 min de leitura

Copa Feminina 2027: o Brasil não está pronto. Ainda

Marina Costa
Jornalista Esportiva

O Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027. A decisao foi confirmada. O pais que nunca levou o futebol feminino a serio agora tem menos de dois anos para construir o contexto que uma Copa do Mundo exige.

O problema não e os estadios. E o torcedor.

O que uma Copa do Mundo precisa alem dos estadios

Estadios o Brasil tem. O Maracana, a Arena Corinthians, o Mineirao, o Beira-Rio, estruturas que receberam a Copa Masculina de 2014 e estao em condicoes de receber o publico de 2027.

O que uma Copa do Mundo precisa e audiencia. Torcedores que queiram ir ao estadio. Pessoas que conhecam as jogadoras. Narrativas que justifiquem o interesse. Sem isso, o Maracana tem 78 mil lugares e alguns milhares de torcedores estrangeiros que vieram especificamente para a Copa.

A Franca sediou a Copa Feminina em 2019. Os estadios ficaram cheios. Nao so de estrangeiras, de francesas. Por que? Porque a Franca passou anos investindo na cobertura do futebol feminino, no desenvolvimento da liga local, em criar narrativas sobre as jogadoras que fizeram o publico frances se importar.

O que o Brasil não tem e precisa construir antes de 2027

Torcedores que conheçam as jogadoras. Hoje, uma pesquisa de rua sobre quem e Gabi Portilho, quem e Ary Borges, quem e Tarciane retornaria majoritariamente respostas em branco. As tres sao entre as melhores da seleção. Nenhuma e conhecida do grande publico.

Transmissoes com audiencia. O Brasileirão Feminino existe. Tem transmissao. Mas audiencia exige investimento em producao, em comentaristas, em horario que o publico possa assistir. Um jogo transmitido as 15h30 de uma terca-feira não constroi audiencia, confirma que a expectativa e baixa.

Cobertura jornalistica de qualidade. Analise tatica do Brasileirão Feminino com o mesmo rigor que o masculino. Perguntas dificeis nas coletivas. Historias das jogadoras contadas com profundidade. Isso cria publico, e publico cria mercado.

Quem tem responsabilidade nisso

A CBF: financiar transmissoes, exigir horarios viaveis, criar mecanismos que obriguem clubes a investir no feminino.

Os clubes: parar de tratar o feminino como custo e comecar a tratar como investimento. Os titulos do Corinthians Feminino geraram valor de marca. O Palmeiras que ganhou a Supercopa Feminina de 2026 usou isso em comunicacao. Clube que vence no feminino tem argumento de marketing.

A midia: cobrir com rigor, sem o "mas para mulher ta bom". O publico que não assiste futebol feminino não assiste por falta de habito, e habito se constroi com cobertura consistente, não com esporadicidade.

O que acontece se o Brasil chegar em 2027 sem ter construido isso

Uma Copa do Mundo em estadios semi-vazios. Jogos transmitidos para audiencias menores do que o esperado. O mundo assistindo o Brasil mostrar que não se preparou para receber o evento que recebeu.

E pior: jogadoras brasileiras jogando a Copa em casa sem o apoio que mereceriam. Gabi Portilho, Ary Borges, Tarciane no Maracana para uma arquibancada que não sabe os nomes delas.

2027 esta proximo. O Brasileirão Feminino 2026 e a ultima temporada completa antes da Copa. O que se constroi agora vai aparecer, ou não aparecer, no Maracana daqui a um ano.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo