Cinco tecnicos no Banco de Reservas de abril
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Banco de Reservas 2026-04-07 3 min de leitura

Cinco tecnicos no Banco de Reservas de abril

Marina Costa
Jornalista Esportiva

Abril entrou no Brasileirao com cinco demissoes nos primeiros dias. Um record da temporada. Cada demissao tem uma logica propria -- ou pelo menos, uma justificativa propria. Mas o conjunto das demissoes diz algo sobre o campeonato que vai alem de cada caso individual.

Este e o Banco de Reservas de abril: cinco tecnicos que perderam o emprego, cinco diagnosticos e uma conclusao que ninguem quer tirar.

Caso 1 — Atletico-MG: o campeao que esqueceu que ganhou

O Atletico-MG ganhou a Libertadores em 2024. Em 2026, estava na zona de rebaixamento. O tecnico que assumiu depois dos titulos durou poucos meses. Nao conseguiu manter o nivel emocional que levou ao titulo. Nao conseguiu manter o elenco motivado depois do pico. Nao conseguiu adaptar o sistema quando os adversarios passaram a estudar o Atletico.

O diagnostico real: o Atletico ganhou a Libertadores com um ciclo de supermotivacao que nao e sustentavel. Depois do titulo, a queda e quase inevitavel se o clube nao planeja a renovacao. O Atletico nao planejou. Demitiu tecnico como se fosse solucao. Nao e. O problema e que o ciclo acabou e o clube nao tem o proximo ciclo pronto.

Caso 2 — Botafogo: o campeao que nao conseguiu defender

O Botafogo ganhou Brasileirao e Libertadores em 2024. Em 2026, esta na zona de rebaixamento com a pior defesa da Serie A. O mesmo padrao do Atletico-MG, acelerado: titulo, euforia, dissolucao do que funcionava, crise.

O Botafogo perdeu jogadores chave apos o titulo. Vendeu. Nao recompos com a mesma qualidade. O tecnico que tentou reconstruir nao teve tempo. Saiu. O proximo vai ter a mesma estrutura fragilizada. Demissao sem reconstrucao de elenco e simbolica.

Caso 3 — Corinthians: o eterno recomecar

O Corinthians tem mais de dez trocas de tecnico nos ultimos quatro anos. Cada ciclo dura seis a oito meses. O novo tecnico chega, perde tres jogos, sai. O seguinte repete. O resultado e um time sem identidade, sem sistema reconhecivel, sem jovem que se desenvolve porque o tecnico muda antes do jovem amadurecer.

O Corinthians e o caso pedagogico do que nao fazer em gestao esportiva. E grande demais para cair, pequeno demais em projeto para lutar por titulo. Essa e a armadilha que o clube ainda nao conseguiu sair.

Caso 4 — Vasco: o projeto que nao veio

O Vasco esperava investimento da SAF que nao chegou. O tecnico chegou sem o elenco que precisava para executar o que prometeu. Demissao inevitavel, mas a culpa e compartilhada: o tecnico nao entregou, mas o clube nao deu condicoes para que entregasse.

Caso 5 — O cruzeiro antes de Artur Jorge

Tite durou seis rodadas no Cruzeiro. Um dos maiores tecnicos da historia do futebol brasileiro, com mais de 300 jogos de Selecao, nao conseguiu encaixar o perfil no elenco que o Cruzeiro tinha. Ou o Cruzeiro contratou o tecnico errado para o elenco que tem, ou o elenco era inadequado para qualquer tecnico naquele momento. Provavelmente os dois.

A conclusao que ninguem tira

Cinco demissoes. Cinco clubes que esperavam que a demissao resolvesse o problema. O problema em quatro dos cinco casos e anterior ao tecnico: elenco inadequado, estrutura fragilizada, ciclo que acabou sem planejamento do proximo.

Demitir e mais facil do que reconstruir. E mais visivel. Da a impressao de decisao. Mas a tabela e crua: os clubes que demitem mais estao na parte de baixo. Os que menos demitem estao na parte de cima. Essa correlacao nao e coincidencia. E o Brasileirao dizendo o que a gestao dos clubes ainda nao ouviu.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo