O Brasileirão 2026 quebrou um recorde que durava desde 1964: foram 65 jogos consecutivos sem um empate em 0 a 0, superando a marca da Taça Brasil daquele ano, com 48 partidas. O campeonato está jogando mais, marcando mais, decidindo mais, terminando sem placar em branco com frequência histórica. E no meio desse cenário, a Chapecoense acumula 5 empates em 10 rodadas, o maior número entre todos os times da competição.
O contraste não é coincidência. Revela dois modelos opostos em um mesmo campeonato: o futebol que decide e o futebol que sobrevive empatando. Os dados dizem qual dos dois funciona melhor ao longo de 38 rodadas.
O recorde que o campeonato não queria
Em 87 jogos disputados até a décima rodada do Brasileirão 2026, o placar foi de 0 a 0 em nenhuma oportunidade até o confronto Chapecoense x Corinthians pela 7ª rodada, que encerrou a sequência. Antes disso, 65 jogos seguidos com ao menos um gol marcado. A última vez que o futebol brasileiro havia registrado sequência tão longa sem empate em branco foi em 1964, há 62 anos.
O dado contextualiza a média de 2,52 gols por jogo do Brasileirão 2026: não é só que o campeonato marca mais, é que ele marca com uma regularidade que não deixa partidas completamente fechadas. Isso tem relação com pressão alta, estilo de jogo dos líderes (Palmeiras e Flamengo), e com o desempenho ofensivo dos times promovidos, que chegaram com disposição de atacar mesmo fora de casa.
A distribuição dos empates nas dez primeiras rodadas
| Resultado | Jogos | Percentual |
|---|---|---|
| Vitória do mandante | 45 | 51,7% |
| Vitória do visitante | 19 | 21,8% |
| Empate | 23 | 26,4% |
Os 26,4% de empates estão abaixo da média histórica do Brasileirão, que oscila entre 28 e 32% dependendo da edição. O sinal mais claro de que o campeonato de 2026 está sendo mais decidido do que o normal: 15 dos últimos 17 jogos da Série A antes da décima rodada tiveram um vencedor.
Chapecoense: campeã dos empates no Z-4
A Chapecoense acumula 5 empates em 10 rodadas, mais do que qualquer outro time do campeonato. O resultado é 8 pontos: 1 vitória, 5 empates e 3 derrotas (resultado ajustado após conferência das rodadas). O time catarinense está no Z-4.
O paradoxo é matemático: empatismo sustentado não salva da zona de rebaixamento no modelo de pontos corridos com 38 rodadas. Se a Chapecoense mantivesse exatamente essa proporção ao longo de toda a temporada (10% de vitórias, 50% de empates, 30% de derrotas), encerraria com aproximadamente 25 a 28 pontos. A média histórica de pontuação dos quatro rebaixados no Brasileirão é de 31 a 34 pontos. O ritmo atual não é suficiente.
O último empate da Chapecoense ilustra o padrão: contra o Vitória, o time estava vencendo por 1 a 0 e cedeu o empate nos acréscimos para um adversário que jogou com dez jogadores depois de uma expulsão. Perder 2 pontos para um time em inferioridade numérica nos últimos minutos é o tipo de dado que os modelos de desempenho registram como conversão negativa: tinha condições de vencer, não venceu.
Por que empatismo é especialmente arriscado no Brasileirão 2026
Em temporadas com alta frequência de empates, como 2019 e 2022, um time que empata muito pode sobreviver se seus concorrentes diretos também empatarem. Mas em 2026, com o campeonato produzindo menos empates do que a média histórica, o time que empata frequentemente perde terreno para concorrentes que decidem seus jogos. Cada empate equivale a 1 ponto. Cada vitória dos concorrentes equivale a 3.
A diferença composta ao longo de 38 rodadas é decisiva: se um time na briga pela permanência empata 15 jogos e perde 10, termina com 15 pontos (sem contar vitórias). Se um concorrente vence 12 e perde 13, termina com 36, mais do que o dobro. O Brasileirão de 2026, com seu recorde de decisão, amplia essa penalidade para o time que joga pelo empate.
O que os números dizem
O Brasileirão 2026 é o campeonato menos empataço dos últimos 60 anos nos primeiros resultados: recorde histórico sem 0 a 0, 26% de empates abaixo da média histórica, 15 dos últimos 17 jogos decididos. E no centro desse cenário, a Chapecoense acumula o maior número de empates do campeonato justamente enquanto luta para não cair. O empate que seria aceitável numa temporada de 30% de igualdades vira ponto perdido num campeonato que decidiu reduzir os empates a 26%. O dado não favorece o Verdão do Oeste.
Dados baseados nas dez primeiras rodadas do Brasileirão 2026, via A Tarde, ND Mais, JGB e Flashscore. Veja também: Promovidos em 2026: metade já está no Z-4 após 10 rodadas e Zona de rebaixamento em 2026: quem o xG já condena.