Sem Rodrygo. E agora, Ancelotti?
Foto: Wikimedia Commons / CBF
Fora da Caixa 2026-04-07 3 min de leitura

Sem Rodrygo. E agora, Ancelotti?

Marina Costa
Jornalista Esportiva

Rodrygo rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho e está fora da Copa de 2026. Pode retornar só em 2027.

O Brasil perdeu um dos seus melhores atacantes. Perdeu também a opção mais natural para a ponta direita. E agora Ancelotti precisa resolver um problema que, ironicamente, pode abrir espaço para algo melhor.

O que Rodrygo representava para o sistema de Ancelotti

Rodrygo é tecnicamente completo. Dribla, finaliza, pressiona, cobre espaços defensivos. No Real Madrid, aprendeu a ser jogador de pressão coletiva, não apenas atacante individual. Sabia quando segurar a bola, quando acionar os laterais, quando fazer a jogada de efeito e quando fazer a jogada útil.

Esse perfil é difícil de substituir com uma pessoa só. Quem vai cobrir a ponta direita no esquema de Ancelotti vai ter que ser uma combinação de habilidades que Rodrygo reunia em um jogador só.

As opções que Ancelotti tem

Estevão na direita. Com 18 anos, números concretos no Chelsea, quatro gols nos últimos três jogos pela seleção. O debate sobre se ele vai à Copa foi resolvido por Ancelotti: vai. A questão é se vai como titular na posição de Rodrygo ou como rotação.

Luiz Henrique como opção de impacto. Luiz Henrique do Zenit tem aceleração, tem drible, tem perfil de ponta. Mas está jogando na Rússia, nível e exposição midiática menor do que Rodrygo tinha no Madrid.

Rayan, do Bournemouth, foi mencionado. Jovem, rápido, versátil. Mas nível de Copa do Mundo com 18 ou 19 anos é uma aposta diferente de escalar alguém consolidado.

O próprio Raphinha como opção centralizada. Raphinha já atuou como meia-atacante pela seleção e entendeu bem o papel. Seria mexer na estrutura que funciona, mas criaria uma opção com mais experiência em posição de decisão.

O que a ausência de Rodrygo pode criar

A ausência de um jogador bom, paradoxalmente, às vezes melhora um time. Porque força decisões que não seriam tomadas com o jogador disponível.

Se Ancelotti optar por Estevão na direita, o Brasil tem Estevão, Vini Jr., Raphinha e Endrick como opções de ataque, quatro jogadores com perfil diferente, todos em momento positivo. Não é uma lista de consolação. É uma lista competitiva.

A questão é se Ancelotti vai ter tempo suficiente para construir o entrosamento específico entre esses jogadores antes do torneio. Com Rodrygo disponível, o time já tinha uma forma de jogar estabelecida. Sem ele, a reconstrução vai exigir trabalho concentrado nas últimas semanas de preparação.

O que a história ensina sobre desfalques em Copa

Grandes Copas tiveram grandes desfalques que abriram espaço para revelações. A Argentina em 2022 perdeu jogadores importantes antes do torneio e ganhou com quem estava disponível. A Croácia que eliminou o Brasil em 2022 jogou com elenco de escassez durante anos.

O desfalque de Rodrygo é real e significativo. Mas não é o fim do projeto. É uma adaptação necessária que, se feita bem, pode até revelar um sistema mais fluido do que o original.

Ancelotti já provou que sabe adaptar. O time que ganhou a Champions 2021-22 com o Real Madrid foi reformulado durante o torneio, com ajustes rodada a rodada, aproveitando quem estava disponível e em forma.

A Copa 2026 do Brasil começa sem Rodrygo. Pode terminar com alguém que ninguém esperava.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo