Vinte e quatro anos sem título. O Brasil ainda não sabe por que
Foto: Wikimedia Commons / CBF
Fora da Caixa 2026-04-07 3 min de leitura

Vinte e quatro anos sem título. O Brasil ainda não sabe por que

Marina Costa
Jornalista Esportiva

O Brasil não ganha uma Copa do Mundo desde 2002. Vinte e quatro anos. Tres eliminacoes nas quartas de final. Uma nas oitavas. O pior ciclo eliminatorio da historia.

E todo mundial, a seleção entra como favorita.

Vamos falar sobre o que esta acontecendo de verdade.

O padrao que se repete

2006: quartas de final, eliminado pela Franca. 2010: quartas, eliminado pela Holanda. 2014: semifinal, 7 a 1 contra a Alemanha. 2018: quartas, eliminado pela Belgica. 2022: quartas, eliminado pela Croacia nos penaltis.

Sao cinco Copas seguidas sem chegar a semifinal. A Croacia que eliminou o Brasil em 2022 tinha 4 milhoes de habitantes e um time construido em torno de um jogador de 37 anos, Modric, que jogou os noventa minutos, a prorrogacao e o desempate em nivel que nenhum brasileiro correspondeu.

O Brasil fez o pior ciclo eliminatorio da historia, terminando em 5o lugar nas eliminatorias sul-americanas. Entrou na Copa com Ancelotti no comando, novo projeto, esperanca renovada.

A pergunta e sempre a mesma: por que o Brasil chega favorito e sai nas quartas?

O problema não e tecnico

O Brasil tem jogadores de altissimo nivel individual. Vini Jr. no Real Madrid. Raphinha no Barcelona. Estevao no Chelsea. Rodrygo, quando saudavel. Militao, Marquinhos. O talento individual e real.

O problema e coletivo. E comportamental. E de mentalidade em jogos de Copa.

No jogo contra a Belgica em 2018, o Brasil ganhou todo o primeiro tempo. Perdeu no segundo com dois gols da Belgica em sete minutos. Nao foi falta de qualidade. Foi falta de resposta quando o adversario pressionou.

Contra a Croacia em 2022, o Brasil marcou com Neymar na prorrogacao. Tomou o empate menos de dois minutos depois. O time que havia controlado o jogo por 90 minutos não soube o que fazer com a igualdade em dez minutos de pressao croata.

Padroes não mentem.

O que Ancelotti precisa construir que não esta no elenco

Ancelotti ganhou tres Champions League. Conhece o que separa times bons de times campeoes em competicao mata-mata.

A diferenca não e so qualidade individual. E como o time reage quando o adversario marca. E como o time mantem a cabeca fria nos dez minutos que definem o jogo. E se o capitao, o lider real, não o de braçadeira, age ou congela quando a pressao chega.

O Brasil de 2022 congelou contra a Croacia. O Brasil de 2018 congelou contra a Belgica. Em ambos os casos, o adversario não era tecnicamente superior. Era mais resiliente no momento critico.

Ancelotti sabe construir resiliencia. Fez isso no Real Madrid. O time que venceu a Champions de 2021-22 virou tres placares adversos em nocautes. Nao por magia, por mentalidade construida em treinamento, em decisoes de escalacao, em como o tecnico protege ou expoe seus jogadores nas entrevistas.

O que precisa ser diferente em 2026

Primeiro: a braçadeira precisa estar no jogador certo. Marquinhos e o capitao oficial. E solido, profissional, respeitado. Mas o capitao que o jogo vai precisar, o que assume quando a seleção esta perdendo por um gol nos 70 minutos, precisa ser identificado antes, não improvisado na hora.

Segundo: o Brasil precisa de um sistema que funcione coletivamente, não um sistema que depende de momentos individuais de Vini Jr. Times que chegam ao titulo em Copa, Franca 2018, Argentina 2022, tem estrutura que continua funcionando quando o craque principal tem um dia ruim.

Terceiro: o Brasil precisa aprender a jogar feio quando e necessario. A Argentina de Scaloni na final de 2022 não jogou o melhor futebol do torneio. Jogou o futebol necessario. O Brasil historicamente tem dificuldade com esse conceito.

O que 2026 pode ser

Pode ser a Copa em que o Brasil finalmente resolve o problema das quartas. Tem os jogadores. Tem o tecnico. O momento e favoravel.

Pode tambem ser a Copa em que o padrao se repete pela sexta vez consecutiva.

A diferenca vai ser construida nos proximos dois meses de preparacao, ou não vai ser construida. Copa do Mundo não se decide em campo. Se decide em tudo que vem antes.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo