Leitura Tática
Botafogo 2026: campeão do Brasileirão na 15ª posição
## Da taça ao risco de rebaixamento
O Botafogo foi campeão do Brasileirão 2024. Em 2026, com oito rodadas disputadas, o clube ocupa a 15ª posição com 9 pontos, dois acima da zona de rebaixamento. A defesa contabiliza 18 gols sofridos, a mais vazada de toda a Série A.
Martín Anselmi, técnico que conduziu o título de 2024, foi demitido. Rodrigo Bellão assumiu como interino e o clube contratou o português Franclim Carvalho, que fez parte da comissão técnica campeã, para tentar reverter o quadro.
A queda não é acidental. Tem causas identificáveis.
## O que mudou entre 2024 e 2026
O Botafogo campeão de 2024 baseava o sistema em pressing alto com recuperação rápida e transições para Luiz Henrique e Tiquinho Soares. O PPDA era um dos melhores do campeonato. A defesa concedia pouco porque o pressing não deixava o adversário construir.
Em 2026, o pressing regrediu. Quando a equipe não recupera a bola no campo adversário, o bloco defensivo fica exposto. Com 18 gols sofridos em oito jogos, a média é de 2,25 por partida. Uma equipe com esse volume de gols concedidos não consegue manter resultados positivos por muito tempo.
## O problema da transição entre treinadores
Anselmi foi o arquiteto do pressing. O sistema era organizado e dependia de automatismos construídos ao longo de meses. Quando o treinador saiu, os automatismos foram para junto com ele.
Esse fenômeno se repete no futebol quando um treinador responsável por um sistema específico é substituído por alguém com outra filosofia ou pela comissão técnica interina que mantém apenas a superfície do esquema. O resultado é um time que continua jogando em 4-3-3, mas sem o pressing que tornava o esquema eficaz.
Franclim Carvalho conhece o clube e conhece o sistema campeão. A hipótese mais otimista é que ele consiga reativar os automatismos que se perderam.
## Os 18 gols sofridos: onde entram
Sem os dados granulares de cada gol sofrido, o padrão pode ser inferido pelo comportamento geral: equipes sem pressing eficiente concedems gols principalmente em transições adversárias e em bola parada. O Botafogo de 2026 parece se encaixar nos dois modelos.
As transições ocorrem porque os laterais sobem e não há cobertura rápida quando a bola é perdida. A bola parada fica vulnerável porque, sem o cansaço físico que o pressing gera nos adversários, as equipes chegam mais organizadas nas cobranças.
## O caminho de volta
Franclim Carvalho tem três problemas para resolver em paralelo:
Primeiro, reestabelecer o pressing como comportamento padrão do grupo. Isso exige repetição de posicionamento e intensidade nos treinos, e tempo que o calendário pode não conceder.
Segundo, estabilizar a defesa de forma imediata. Com 2,25 gols sofridos por jogo, o clube não pode esperar meses para melhorar. Bloco mais baixo temporariamente, até o pressing ser reativado, pode ser uma solução de curto prazo.
Terceiro, recuperar a confiança do grupo. Equipes que demitem o treinador campeão em menos de dois anos de mandato geram instabilidade psicológica. Os jogadores que venceram a Libertadores e o Brasileirão precisam sentir que o projeto continua.
## O histórico que complica
O Botafogo tem histórico de colapsos após períodos de sucesso. A torcida chama esse padrão de "botafoguismo". O fenômeno tem causas estruturais reais: mudanças de comissão técnica, dificuldade de retenção de elenco e tomada de decisão em momentos de pressão.
Em 2026, o colapso chegou mais rápido do que o esperado. A gestão da John Textor, que prometeu profissionalização da estrutura, está sendo testada na adversidade.
## Conclusão
O Botafogo campeão de 2024 virou o Botafogo rebaixável de 2026 por causas táticas e estruturais que se combinaram: saída do treinador que sistematizou o pressing, perda de automatismos coletivos e incapacidade de manter o nível defensivo. O Portuguese Franclim Carvalho tem o histórico para resolver. Mas o calendário e a tabela não concedem tempo indefinido.