Atlético-MG na 17ª posição: o colapso de um candidato
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Leitura Tática 2026-04-07 3 min de leitura

Atlético-MG na 17ª posição: o colapso de um candidato

Rafael Teixeira
Jornalista Esportivo
## Os números que não mentem O Atlético-MG ocupa a 17ª posição do Brasileirão 2026 com apenas 2 pontos nas primeiras rodadas, dois empates e duas derrotas. Para um clube que chegou às semifinais da Copa Libertadores e disputou títulos nacionais na temporada anterior, a posição na tabela configura o pior início de campeonato em muitos anos. A crise foi descrita internamente como inédita. O clube que passou anos na parte superior da tabela luta agora para não cair na zona de rebaixamento nas rodadas iniciais. ## O paradoxo do mandante e do visitante O dado mais revelador do momento do Atlético-MG está na divisão entre casa e fora. Na Arena MRV, o clube está invicto com duas vitórias e dois empates. Como visitante, perdeu todos os quatro jogos disputados fora de casa sem marcar ponto. Esse padrão indica um problema de identidade: o time joga com um sistema que funciona com apoio da torcida e nas condições conhecidas da Arena MRV, mas não consegue replicar o mesmo nível de organização em estádios adversários. O pressing e a saída de bola, que dependem de intensidade coletiva, diminuem quando o grupo está fora de seu ambiente. ## O que aconteceu taticamente O Atlético-MG de 2025 tinha no pressing alto sua principal arma ofensiva e defensiva. A recuperação de bola no campo adversário gerava transições rápidas que eram convertidas em gol com frequência. O sistema exigia alto nível físico e sincronização entre os blocos. Em 2026, o pressing diminuiu. Os dados de PPDA do clube pioraram, indicando que o time não está mais recuperando bolas no campo adversário com a eficiência do ano anterior. A causa pode ser desgaste acumulado após temporada longa, rotatividade de elenco ou perda de automatismos. Sem pressing eficiente, o Atlético-MG perdeu a capacidade de criar situações de finalização a partir de recuperações de bola no campo adversário. Os gols precisam vir de ações construídas, e o clube não tem o mesmo volume de qualidade coletiva para construção que para pressing. ## O setor ofensivo sem referência As dificuldades no setor ofensivo foram citadas como fator central da crise. O clube saiu da temporada 2025 sem resolver a questão do centroavante de área, função que é determinante em momentos de jogo fechado. Quando o pressing não funciona e o jogo precisa ser decidido com a posse de bola, o Atlético-MG não tem jogador que ocupe a área com consistência. O sistema de transições rápidas não foi complementado por um modelo alternativo para quando o jogo fica lento. ## O que pode estabilizar a situação O Atlético-MG precisa de três ajustes para sair da crise antes que ela se aprofunde: Primeiro, recuperar o pressing ao nível de 2025. Isso exige trabalho físico e repetição de automatismos de recuperação de bola. Se o pressing voltar, as transições voltam, e os gols voltam. Segundo, definir como o time joga fora de casa. O problema visitante indica que o sistema é diferente dependendo do ambiente. Um sistema tático robusto funciona em qualquer estádio. Terceiro, garantir resultados como mandante para comprar tempo. A invencibilidade na Arena MRV é o único dado positivo. Esse aproveitamento precisa ser mantido enquanto os ajustes são feitos. ## Conclusão O Atlético-MG de 2026 tem o elenco para sair da 17ª posição. O problema é tático e de identidade coletiva, não de qualidade individual. A crise inédita descrita internamente tem solução identificável: recuperar o pressing e definir o modelo de jogo fora de casa. Se não resolver nas próximas rodadas, o clube corre o risco de entrar em espiral descendente que corrói a confiança do grupo.
Rafael Teixeira Jornalista Esportivo

Rafael Teixeira tem 34 anos e nasceu em Goiânia. Formado em Educação Física pela UFG, trabalhou como analista de performance no Goiás EC entre 2018 e 2022, onde participou do acesso à Série A em 2018.... Ler perfil completo