Ary Borges joga no Lyon. O Brasil não sabe quem ela e
FIFA / Wikimedia Commons
Ela em Campo 2026-04-07 3 min de leitura

Ary Borges joga no Lyon. O Brasil não sabe quem ela e

Marina Costa
Jornalista Esportiva

Ary Borges ganhou a Copa Ouro com o Brasil em 2024. Marcou tres gols na final. Tem 23 anos. Joga no Lyon, um dos melhores clubes do mundo em futebol feminino.

A maioria dos brasileiros ainda não sabe quem ela e.

O que Ary Borges representa taticamente

Ary Borges e meia-atacante. Nao e ponta, não e centroavante, e o tipo de jogadora que aparece nos espacos entre as linhas, que chega ao gol sem ser marcada como referencia de ataque, que decide jogos sem ser a jogadora mais marcada do adversario.

No Brasil da Copa Ouro de 2024, ela foi a jogadora que a maioria das selecoes adversarias não preparou defesa especifica, porque não sabiam quem era. A ignorancia do adversario foi vantagem taticamente. Com o nivel de exposicao que o futebol feminino esta ganhando, isso não vai continuar sendo vantagem.

O bom: ela esta preparada. O Lyon e um dos ambientes mais exigentes do futebol feminino europeu. Treinar e jogar com as melhores do mundo semana a semana e o desenvolvimento que nenhuma academia brasileira consegue dar.

O que o Lyon representa para o desenvolvimento de Ary

O Lyon e para o futebol feminino o que o Real Madrid e para o masculino, clube mais vitorioso, mais respeitado, com o elenco mais qualificado da historia da competicao. Jogar no Lyon e uma das maiores validacoes que uma jogadora pode ter.

Ary foi para o Lyon. Essa escolha, de um clube europeu de elite sobre clubes brasileiros, mesmo com salario menor em determinados momentos, revela que ela e o perfil de jogadora que pensa no desenvolvimento de longo prazo. Isso e raro. E valoroso.

Por que o futebol brasileiro perde quando não acompanha Ary

Em 2027, o Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina. A seleção que vai jogar no Maracana sera construida em torno de jogadoras como Ary Borges, na faixa dos 24, 25 anos, no auge do desenvolvimento fisico e taticamente amadurecidas.

Se o publico brasileiro não sabe quem e Ary Borges hoje, não vai saber em 2027 quem e a jogadora que pode ganhar o titulo em casa. Nao vai se importar com o resultado da mesma forma que se importaria se conhecesse a jogadora, a historia, a trajetoria.

A Copa de 2027 precisa de torcedores que conheçam o time. Esse publico não aparece do nada na abertura do torneio. Se constroi com cobertura regular, com historias contadas com profundidade, com o mesmo investimento editorial que o futebol masculino recebe.

O que seria diferente se o Brasil cobrisse Ary Borges como merece

Transmissoes do Lyon com narracao em portugues, disponiveis para o torcedor brasileiro. Colunas sobre o desenvolvimento dela em competicoes europeias. Entrevistas de profundidade sobre como e jogar no melhor clube do mundo na modalidade.

Historias que conectem Ary Borges da base brasileira com Ary Borges no Lyon com Ary Borges na seleção. O torcedor precisa da narrativa para se importar, e narrativa se constroi ao longo do tempo, não em 12 meses antes de Copa.

Ary Borges existe. O problema não e ela, e o futebol brasileiro que ainda não entendeu que deixar uma jogadora do nível dela ser anonima e desperdicar o produto mais valioso que tem para 2027.

Marina Costa Jornalista Esportiva

Marina Costa tem 38 anos e é carioca do Méier. Formada em Jornalismo pela UERJ, começou cobrindo esporte em 2010 no Lance!, onde ficou por 5 anos na editoria de futebol nacional. Passou pela ESPN Bras... Ler perfil completo